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Desenvolvimento de Projetos de Carbono - Entenda um pouco mais!



A Sustainable Carbon é líder em desenvolvimento de projetos de carbono na América Latina. Possuimos 47 projetos que reduzem a emissão de gases de efeito estufa e promovem o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas.

O investimento de receitas provenientes dos créditos de carbono em iniciativas socioambientais representa uma forma de financiamento inovadora, que foca na preservação dos biomas brasileiros e melhorias para comunidades desprivilegiadas.

A empresa possui vasta experiência no desenvolvimento, implantação e monitoramento de projetos de carbono e também na comercialização dos créditos gerados.

Biomassa Renovável

Nossos projetos de biomassa renovável revolucionam o processo produtivo de pequenas cerâmicas por todo país, de forma a torná-lo mais limpo e ambientalmente correto. O uso de combustível fóssil ou lenha nativa, prática comum no Brasil, é substituído por biomassas renováveis, como resíduos de agricultura e de indústrias locais. Com o projeto, a cerâmica passa a produzir sem agredir o meio ambiente, mantendo florestas em pé e gerando créditos de carbono.

Projeto Eólico

Com o objetivo de incentivar energias limpas no Brasil, a Sustainable Carbon está a procura de projetos de energia eólica para gerar créditos de carbono. Portanto, se você tem interesse, entre em contato conosco. Os créditos de carbono derivados do projeto vão gerar receitas adicionais e certificar boas práticas socioambientais da empresa.

Projeto Solar

Com o objetivo de incentivar energias limpas no Brasil, a Sustainable Carbon está a procura de projetos de energia solar para gerar créditos de carbono. Portanto, se você tem interesse, entre em contato conosco. Os créditos de carbono derivados do projeto vão gerar receitas adicionais e certificar boas práticas socioambientais da empresa.

Metano Evitado

Nossos projetos de Metano Evitado por meio de Compostagem são alguns de nossos projetos mais adicionais em termos de benefícios ao ecossistema. Através da compostagem de esterco suíno, as emissões são evitadas e o dejeto é transformado em um composto orgânico que mantém o excesso de nitrogênio e fósforo fora dos fluxos de água, evitando assim a degradação da biodiversidade aquática. O processo ainda traz benefícios para a agricultura, uma vez que a utilização da água passa a ser mais eficaz nas fazendas.

Projeto Florestal

Nossos projetos florestais (REDD+) visam aumentar a competitividade de ações sustentáveis em relação ao padrão tradicional de ocupação de terra. Estes projetos promovem a sustentabilidade em seus três eixos: o econômico, através dos créditos de carbono; o social, devido a geração de benefícios para a comunidade local; e o ambiental, pela conservação, reflorestamento e adoção de técnicas mais eficientes de manejo florestal, com a consequente redução das emissões de GEE e proteção da biodiversidade.

Google investirá 1 bilhão de euros na computação em nuvem e em energias renováveis na Alemanha

Armazenamento de dados digitais é criticado pelo grande consumo de energia. Segundo a empresa, aporte e um 'passo importante para alcançar meta de descarbonização'.

Logo do Google em uma convenção de tecnologia em Paris, na França, em 25 de maio de 2018 — Foto: CHARLES PLATIAU/Reuters

A gigante americana Google vai investir 1 bilhão de euros (R$ 6,1 bilhões) na Alemanha em infraestruturas de computação em nuvem para armazenar dados e na energia renovável necessária para alimentar esses serviços.

"Na Alemanha (...), até 2030, os investimentos em infraestrutura digital e energia limpa chegarão a 1 bilhão de euros", anunciou o grupo em comunicado nesta terça-feira (31).

O grupo investirá na Alemanha em infraestruturas de energias renováveis "solar e eólica" para alimentar 80% da sua exploração.

"É um passo importante para alcançar nossa meta de descarbonização até 2030", disse.

Para isso, fará parceria com a subsidiária alemã do grupo francês Engie, que entregará um total de "140 megawatts" de energia verde.

O armazenamento de dados digitais usando essas nuvens é altamente criticado, especialmente porque consome grande quantidade de energia. O governo alemão saudou a decisão do Google, um "sinal forte" de acordo com o ministro da Economia, Peter Altmaier.

A gigante quer expandir seu centro de nuvem localizado em Hanau, na região de Frankfurt (oeste), que já possui 10.000 m2. O Google também quer criar uma nova unidade de armazenamento de dados em Brandenburg, a região ao redor de Berlim.

Por enquanto, a gigante digital possui quatro fábricas na Alemanha (Berlim, Frankfurt, Hamburgo e Munique) e emprega 2.500 pessoas.

Cerca de 800 produtores devem participar de programa com foco em sequestro de carbono

Iniciativa visa a difundir técnicas de produção sustentável, provando que elas também trazem vantagens econômicas ao agricultor brasileiro

POR JOSÉ FLORENTINO,

Cerca de 800 produtores rurais devem integrar o programa PRO Carbono na safra 2021/2022. Isso representa o dobro de participantes da primeira fase da iniciativa Carbono Bayer. A ideia é promover práticas sustentáveis na agricultura, que ajudam a sequestrar carbono, e recompensar os agricultores financeiramente.

O PRO Carbono é a segunda etapa da iniciativa Carbono da Bayer, que acredita que o produtor rural precisa participar ativamente das discussões sobre a emissão de gases do efeito estufa. “Fazemos parte dos agentes emissores, e, além disso, a agricultura também é uma das mais prejudicadas pelo aquecimento global. Pequenas variações na temperatura média podem, sim, impactar a segurança alimentar”, diz Mateus Barros, diretor de Digital e Desenvolvimento de Novos Negócios da empresa na América Latina.

Mas parte da solução também pode vir da agricultura, segundo a Bayer. “Temos dados de muitos anos que demonstram que a adoção em larga escala de práticas agronômicas reduzem emissão e sequestram excedente de carbono”, diz Barros.

A companhia reforça que todas as recomendações feitas aos produtores estarão apoiadas na ciência. Para isso, vários parceiros da academia, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Federação de Plantio Direto, vão participar da construção da metodologia de trabalho.

“Teremos um empenho muito grande para que os agricultores, aqueles que estiverem fazendo tudo corretamente, sejam recompensados, reconhecidos, inclusive financeiramente”, destaca Pereira. Ele lembra que o consumidor mundial está cada vez mais preocupado com a pegada de carbono dos alimentos. Dessa forma, é um caminho sem volta.

Sequestrar carbono? Como assim?

O programa PRO Carbono ficará com inscrições abertas até julho deste ano, para que as avaliações de carbono e solo possam começar a partir de agosto, acompanhando o calendário da safra 2021/22, que começa em setembro.

Entre as exigências, as fazendas cadastradas não poderão ter áreas desmatadas após 2008, nem estar em áreas indígenas ou quilombolas. Basicamente, as irregularidades mais graves previstas pelo Código Florestal brasileiro impedem o acesso.

“Mas se ele tiver uma adequação sendo implementada, isso será respeitado”, diz Fábio Passos, diretor de Negócios de Carbono da Bayer na América Latina. “Não necessariamente quem está no período de adequação não pode entrar”. A Agrotools ficará responsável pelas avaliações.

Após a aprovação, a Bayer vai solicitar um talhão aos produtores, de 30 a 100 hectares, para participar. A ideia é que os agricultores experimentem as técnicas nesses espaços para que possam ter contraste com o restante da área. Dessa forma, os ganhos ficarão claros e a tecnologia poderá ser replicada ao restante das lavouras.

Nesses talhões selecionados, serão trabalhados fortemente dois pilares: a intensificação de práticas sustentáveis, como o plantio direto, culturas de cobertura e rotação de culturas; e impulsionadores de produtividade, como melhorias na aplicação de insumos e mudanças na densidade das plantas.

“Estamos falando de aumentar a produção em uma área já convertida e reduzir o carbono”, reforça o diretor de Sustentabilidade da divisão agrícola da empresa para a América Latina, Eduardo Bastos. Além disso, a Bayer está buscando parcerias com instituições financeiras e outras empresas para oferecer benefícios aos agricultores, como linhas de crédito diferenciadas, além de avançar com o mercado de carbono no Brasil e no mundo.

Para possibilitar o acompanhamento detalhado do trabalho, os produtores terão que aderir à plataforma Climate FieldView da Bayer. Isso, segundo a companhia, vai garantir transparência nos dados e segurança aos participantes.

A Bayer destaca que o agricultor não terá um custo fixo, já que as sugestões agronômicas serão personalizadas, acompanhando a realidade e necessidade de cada propriedade rural. A companhia lembra que é um projeto de longo prazo: os produtores vão aderir ao programa por três anos.

Desafios para executar o projeto

O sistema de plantio direto foi criado há quase 50 anos. No Brasil, 95% dos produtores dizem ter aderido à técnica, porém, apenas 15% ou 20% a executam da forma correta. “Precisamos alavancar isso de forma significativa”, diz Mateus Barros.

Mas como fazer o plantio direto deslanchar? Para a empresa, a resposta é simples: por meio do exemplo. Os agricultores que participam da iniciativa serão uma vitrine para os demais, que entenderão na prática as vantagens de se produzir de forma sustentável.

“Esses produtores vão nos ajudar a contar essa história, de que se eles fizerem essas práticas, potencialmente vão aumentar sua produtividade e vender crédito de carbono. A partir do momento que você gera valor, consegue trazer essa maior de agricultores”, afirma o diretor de Digital da Bayer.

Para se inscreverem, os agricultores podem acionar um representante técnico de vendas da Bayer das suas regiões.

Infralobo reforça aposta nas energias renováveis


A Infralobo - Empresa de Infraestruturas de Vale do Lobo, E.M., informa em comunicado que concluiu a instalação de mais um conjunto de painéis fotovoltaicos, agora nos depósitos de água e respetiva estação de bombagem, os quais irão permitir que os consumos desta estrutura fundamental para a atividade da empresa, seja fornecida por energia solar, reforçando assim a sua aposta nas energias renováveis.

O investimento que rondou os 62 Mil Euros, consiste num sistema fotovoltaico de 92 painéis fotovoltaicos com um pico de energia de 28,5 Kwp e um banco de baterias reforçado com capacidade de armazenamento de 77 Kwp.


Saliente-se que atualmente a Infralobo já tem os seus principais equipamentos fornecidos por energia solar, nomeadamente os depósitos de água e estação de bombagem, as estações elevatórias e o edifício sede da empresa, tendo assim passado de uma taxa de autonomia de 2% em 2020, para 25% de autonomia em 2021.

Realça a Infralobo na sua missiva que, estes investimentos fazem parte do Plano de Descarbonização INFRALOBO 2021, aprovado no início do ano e que enumera uma série de medidas concretas na sua atividade diária e no Plano de Investimentos com vista a reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera, aumentando o recurso a fontes de energia limpa.


É um dado adquirido que a estas ações, enquadradas na Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas do Município de Loulé (EMAAC), somam-se outros projetos que têm permitido alcançar resultados positivos em termos de poupança de recursos naturais e redução de emissões poluentes.

Em suma, de acordo com a Infralobo, a meta é conseguir, até final de 2021, reduzir o consumo de combustíveis fósseis em 30% e, também, o número de viaturas afetas à sua atividade em 15% tendo em conta o início do plano de descarbonização.

Fonte: Diário Online RS

Agência Internacional de Energia publica medidas urgentes para reduzir aquecimento global

Em uma reviravolta, relatório da agência abraça energias renováveis e limpas. O plano da agência tem mais de 400 medidas, a maior parte urgente.

Agência Internacional de Energia publica guia com medidas urgentes pra reduzir o aquecimento global

A Agência Internacional de Energia publicou nesta terça-feira (18) uma espécie de manual com medidas urgentes para reduzir o aquecimento global.

Descarbonizar. Se você ainda acha essa palavra meio estranha, vá se acostumando com ela. É isso que precisamos fazer com o planeta: diminuir a emissão de gases do efeito estufa.

E quem está dizendo, dessa vez, não são ambientalistas, é a Agência Internacional de Energia, organização que orienta e embasa políticas energéticas de diversas nações - políticas, até pouco tempo, guiadas pelos combustíveis fósseis.

Agora, em uma reviravolta, um relatório da agência abraça energias renováveis e limpas como forma de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima do período pré-industrial para evitar catástrofes irreversíveis. O plano da agência tem mais de 400 medidas, a maior parte urgente.

É preciso parar imediatamente com a aprovação de novas usinas de carvão e campos de exploração de petróleo. Em 2035, os países avançados teriam que zerar as emissões de gases de usinas de carvão ou gás e adotar tecnologias como a eólica, solar ou nuclear. E, em 2040, todas as usinas de carvão restantes no mundo seriam fechadas, ou adaptadas para absorver o carbono que produzem.

A revolução sobre como o mundo se move também precisa ser rápida. Hoje, apenas 5% dos veículos no mundo são elétricos. A agência afirma que, em nove anos, até 2030, esse número teria que saltar para 60%. E, em 2035, a agência propõe o fim da venda de carros movidos a combustíveis fósseis, para que, em 2050, apenas carros com baterias ou movidos a hidrogênio estejam nas ruas e estradas.

Se você acha que tudo isso, mudar o horizonte energético do planeta em tão curto espaço de tempo, vai ser impossível, a Agência Internacional de Energia discorda. No relatório, ela afirma que não vai ser impossível, mas que vai ser só o maior desafio que a humanidade já enfrentou.

Por Jornal Nacional

Brasil pode se tornar o maior hub de energia renovável do mundo

Hoje o setor elétrico brasileiro é responsável por apenas 3% das emissões de gases de efeito estufa, enquanto no mundo é de 25%

Diante da tendência inevitável de transição energética para uma economia de baixo carbono, especialistas, empresários e acadêmicos convergem que o Brasil pode se tornar o maior hub de energia renovável do mundo.

O debate sobre como o país pode se posicionar mundialmente e atrair investimentos foi promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e tratou das alternativas do sistema elétrico brasileiro para essa nova economia. Hoje o setor elétrico brasileiro é responsável por apenas 3% das emissões de gases de efeito estufa, enquanto no mundo é de 25%.

Segundo Luiz Barroso, presidente da consultoria PSR, isso garante competitividade em relação ao resto do mundo, já que 85% da energia elétrica no Brasil é renovável. “A matriz elétrica brasileira é muito adaptada para a descarbonização de outros setores da economia. O grande desafio é utilizar esse potencial para descarbonizar o setor de transportes e alavancar novos setores energéticos”, diz.

Nesse mesmo raciocínio, a diretora presidente adjunta da Neoenergia, Solange Ribeiro, acrescenta que eletrificar a economia é a chave para o Brasil surfar nessa onda de transição energética. “Temos condição de ofertar para o resto do mundo renovável, com baixa pegada de carbono e competitividade”, afirma.

Novos atores na matriz energética

Barroso lembrou que para atender as metas do Acordo do Clima de Paris, está havendo no mundo uma disponibilidade grande de investimentos em novas tecnologias sustentáveis, como o plano do presidente americano Joe Biden, por exemplo, em que vai alocar mais de US$ 2 trilhões.

Além de novas tecnologias sustentáveis, o consultor acredita que fontes de geração renovável vão guiar esse processo. Barroso aposta que geração distribuída associada às tecnologias de armazenamento vão liderar esse processo.

“Solar é o que mais vai crescer pelo lado distribuído da geração, seguido de eólicas. E o armazenamento é a tecnologia que deve mais crescer pelo volume de investimentos”.

Doutor em planejamento energético pela Unicamp, Daniel Lopes inclui o hidrogênio verde na lista de fontes que vão emergir no futuro. O acadêmico aposta na fonte como um vetor energético importante que vai atender o consumo de energia de países da Europa, como a Alemanha.

“É o elemento mais abundante no universo, não há emissão de carbono e por ser um vetor energético, pode ser extraído de diversas fontes. A estratégia global está seguindo nesse caminho”.

Fonte: ROBSON RODRIGUES, DA AGÊNCIA CANAL ENERGIA, DE SÃO PAULO

O controverso futuro da energia nuclear nos Estados Unidos

À medida que a crise climática se agrava, cada vez mais se discute o papel da energia nuclear no combate a esse problema.

Dois reatores nucleares em construção na Usina Vogtle, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos. O empreendimento estourou o orçamento em bilhões de dólares e está atrasado há anos.
FOTO DE GEORGIA POWER COMPANY

O presidente Joe Biden estabeleceu metas ambiciosas para conter as mudanças climáticas: reduzir pela metade as emissões de carbono dos Estados Unidos até 2030 e zerar as emissões líquidas de carbono em sua economia até 2050. O plano prevê que, até 2035, a geração de energia elétrica se torne uma atividade que não emite carbono. De acordo com analistas, esse é o setor econômico mais fácil de ser transformado em ecologicamente correto.

De onde virá toda essa energia elétrica limpa?

Alguns números da Agência de Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos (EIA) ilustram o desafio. Em 2020, os Estados Unidos geraram cerca de quatro trilhões de quilowatts-hora de energia elétrica. Cerca de 60% foram produzidos com a queima de combustíveis fósseis, principalmente gás natural, em cerca de 10 mil geradores, de grande e pequeno porte, em todo o país. Toda essa energia elétrica precisará ser substituída — e sua produção também precisará aumentar, pois a demanda por eletricidade deve ser maior, principalmente se for utilizada para abastecer mais carros.

Fontes de energia renováveis, como energia solar e eólica, cresceram mais rápido do que o esperado. Somadas à energia hidrelétrica, ultrapassaram o carvão pela primeira vez em 2019 e agora produzem 20% da energia elétrica dos Estados Unidos. Em fevereiro, a EIA projetou que as energias renováveis seriam responsáveis por mais de 40% da produção até 2050 — um crescimento notável, talvez, mas ainda bastante aquém do necessário para uma rede elétrica sem carbono até 2035 e para impedir a crise climática.

Esse enorme desafio recentemente levou alguns ambientalistas a reconsiderarem uma alternativa vista há muito tempo com desconfiança: a energia nuclear.

Em outubro de 2020, um rotor de turbina foi instalado na Unidade 4 da Usina Vogtle, um dos dois reatores em construção. FOTO DE GEORGIA POWER COMPANY

A energia nuclear tem muito a seu favor. Sua pegada de carbono é equivalente à da energia eólica, menor do que a da solar e, em ordens de magnitude, menor do que a do carvão. As usinas nucleares ocupam muito menos espaço na paisagem do que as usinas solares ou eólicas e produzem energia também à noite ou em dias sem vento. Em 2020, elas geraram a mesma quantidade de energia elétrica nos Estados Unidos que as energias renováveis, um quinto do total.

Mas muitos discutem se a energia nuclear deve representar grande parte da solução climática nos Estados Unidos. Hoje, o projeto da maioria das usinas nucleares norte-americanas está ficando obsoleto e apenas uma foi construída nos últimos 20 anos. Os defensores da energia nuclear agora estão apostando em projetos de última geração, como versões menores e modulares de reatores convencionais de água leve ou reatores avançados projetados para serem mais seguros, mais baratos e mais flexíveis.

“Inovamos tão pouco nos últimos 50 anos, que ainda temos muito pela frente”, diz Ashley Finan, diretora do Centro Nacional de Inovação em Reatores do Laboratório Nacional de Idaho.

No entanto, a expansão da energia nuclear esbarra em alguns obstáculos importantes, e as eternas preocupações com segurança e resíduos radioativos podem não ser os mais significativos: os críticos também afirmam que os reatores nucleares são simplesmente muito caros e sua construção é demorada para serem de alguma utilidade na crise climática.

O presidente Dwight Eisenhower fez o discurso “átomos pela paz” antes da Assembleia Geral das Nações Unidas em 8 de dezembro de 1953, oito anos depois de duas cidades japonesas terem sido destruídas pelas bombas atômicas norte-americanas e enquanto os Estados Unidos e a União Soviética se preparavam para uma guerra nuclear.
FOTO DE IAEA IMAGEBANK, UNITED NATIONS, NEW YORK

Bombas em relhas de arado

Um reator de teste no Laboratório Nacional de Idaho, onde Finan agora trabalha, produziu energia elétrica a partir de energia nuclear pela primeira vez em 1951. O feito não demorou a ser enaltecido no famoso discurso do presidente Dwight Eisenhower “átomos pela paz” nas Nações Unidas em 1953. Arjun Makhijani, físico nuclear que dirige o Instituto de Pesquisa Energética e Ambiental (IEER), um instituto sem fins lucrativos, ressalta que o discurso foi feito logo após um teste termonuclear na União Soviética, quando o medo da bomba atômica estava no auge.

“Basicamente, ele disse que o tema era muito triste e sombrio — queria dizer algo positivo”, explica Makhijani. O discurso de Eisenhower deu início a uma nova era nuclear: o interesse global por esse tipo de energia aumentou significativamente e países ao redor do mundo começaram a construir grandes reatores, muitas vezes com tecnologia e know-how dos Estados Unidos.

Em 1996, a energia nuclear fornecia 17,6% da energia elétrica mundial. Hoje, esse número caiu para cerca de 10%. O acidente de Fukushima em 2011 foi uma das principais razões para esse declínio. Os 48 reatores nucleares do Japão permanecem praticamente desativados desde então. A Alemanha desativou 11 de seus 17 reatores e pretende desativar os seis restantes até 2022. A Bélgica, a Espanha e a Suíça também estão encerrando seus programas nucleares.

Os Estados Unidos, de longe o maior produtor mundial de energia elétrica por termonucleares, têm atualmente 94 reatores em 28 estados. Mas após o acidente na Usina Three Mile Island em 1979, quando um reator quase derreteu por completo perto de Middletown, no estado da Pensilvânia, o entusiasmo pela energia nuclear diminuiu.

O tempo médio de operação das usinas norte-americanas é de 39 anos e elas têm autorização para operar por 40 anos. Na última década, pelo menos cinco foram desativadas antes do previsto, em grande parte porque os custos de manutenção e fontes de energia mais baratas tornaram sua operação muito dispendiosa.

O fechamento mais recente ocorreu na semana passada, em 30 de abril, quando o segundo dos dois reatores foi desligado na usina de Indian Point, no rio Hudson, ao norte da cidade de Nova York. Até alguns anos atrás, esses reatores forneciam um quarto da energia da cidade. Em todo o país, a EIA prevê que a geração de energia nuclear diminua 17% entre 2018 e 2025.

Em uma cerimônia de agradecimento aos trabalhadores da usina nuclear de Indian Point, capacetes foram pendurados em uma cerca para representar a perda de empregos. A usina, que já forneceu um quarto da energia da cidade de Nova York, fechou em 30 de abril de 2021.
FOTO DE KENA BETANCUR, GETTY IMAGES

Atrasos e gastos acima do orçamento

Embora a oposição de ambientalistas possa ter sido o principal fator que impediu o desenvolvimento nuclear nas décadas de 1980 e 1990, atualmente o maior desafio podem ser os custos. Poucas usinas nucleares foram construídas nos Estados Unidos recentemente porque sua construção no país é muito cara, o que eleva o preço desse tipo de energia.

Jacopo Buongiorno, professor de ciência nuclear e engenharia do MIT, liderou um grupo de cientistas que recentemente concluiu um estudo de dois anos sobre o futuro da energia nuclear nos Estados Unidos e na Europa Ocidental. Eles constataram que “sem redução de custos, a energia nuclear não terá um papel significativo” na descarbonização do setor de energia.

“No Ocidente, a indústria nuclear perdeu substancialmente sua capacidade de construir grandes usinas”, diz Buongiorno, apontando para o esforço da Southern Company em adicionar dois novos reatores à Usina Vogtle em Waynesboro, Geórgia. Eles estão em construção desde 2013, já ultrapassaram o orçamento em bilhões de dólares — o custo mais que dobrou — e o cronograma das obras está atrasado. Na França, classificada em segundo lugar depois dos Estados Unidos em geração de energia nuclear, um novo reator em Flamanville registra um atraso de dez anos e está mais de três vezes acima do orçamento.

“Claramente perdemos o know-how da construção de usinas nucleares tradicionais em escala de gigawatts”, afirma Buongiorno. Como nenhuma nova usina é construída nos Estados Unidos há décadas, fato constatado por ele e seus colegas, as equipes que trabalham em um projeto como o da Vogtle não passaram pelo processo de aprendizado necessário para realizar o trabalho com eficiência. Isso causa atrasos no cronograma das obras e, consequentemente, aumento dos custos.

Em outros lugares, os reatores ainda são construídos a um custo mais baixo, “principalmente em locais onde as obras ficam dentro do orçamento e do cronograma”, explica Finan. A China e a Coreia do Sul são os países onde isso mais acontece. (Sem parcialidade, diversos reatores em grande escala da China também estouraram o orçamento e apresentaram atrasos.)

“Na Ásia, o custo da energia nuclear representa um quarto, ou menos, da energia produzida nos novos empreendimentos do Ocidente”, diz Finan. A mão de obra muito mais barata é um dos motivos, de acordo com Finan e o relatório do MIT, mas a gestão de projetos mais eficiente também tem grande influência.

O estudo do MIT sugere que padronizar projetos de reatores e construir o mesmo reator repetidas vezes são essenciais para redução dos custos. Os pequenos reatores modulares (SMRs na sigla em inglês) podem ser uma saída. A produção desse tipo de reator normalmente não ultrapassa 300 megawatts, comparado aos 1.000 megawatts de uma usina nuclear tradicional. O tamanho reduzido, explica Buongiorno, pode permitir que os componentes desses reatores sejam construídos em fábricas, possibilitando economias na produção e reduzindo o cronograma das obras e os imprevistos. Além disso, os pequenos reatores podem ser utilizados individualmente ou combinados para formar uma única grande usina.

Nos Estados Unidos, uma empresa chamada NuScale teve a certificação de projeto de seu SMR aprovada pela Comissão Reguladora Nuclear, a primeira e única empresa a obter essa certificação. Seu reator é uma versão em miniatura de um reator tradicional, no qual a água pressurizada resfria o núcleo onde ocorre a fissão nuclear. Mas no projeto da NuScale, o reator inteiro fica imerso em uma piscina para protegê-lo de um derretimento acidental.

A empresa NuScale prevê construir 12 desses reatores para produzir 720 megawatts no Laboratório Nacional de Idaho como projeto piloto. Ela recebeu financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE), que aprovou o valor de até US$ 1,4 bilhão para ajudar a apresentar a tecnologia. A NuScale planeja vender a usina para um consórcio de energia chamado Utah Associated Municipal Power Systems.

No ano passado, oito das 36 concessionárias do consórcio desistiram do projeto, culpando os custos. A empresa anunciou recentemente que o projeto seria adiado para 2030 e o custo aumentaria de US$ 4,2 bilhões para US$ 6,1 bilhões.

Aqueles que são contra o uso de energia nuclear citam essa última decepção como mais um exemplo do motivo de a energia nuclear não estar à altura da tarefa.

“Se o primeiro SMR não for construído até o fim da década de 2020, e for necessário ativá-lo e ainda estruturar toda uma nova cadeia de abastecimento global, será possível zerar as emissões até 2035?” pergunta Makhijani do IEER. “Não dará tempo de fazer uma contribuição significativa.” Ele acrescenta que o extenso histórico de custos extras e atrasos do setor é especialmente problemático quando se considera os compromissos climáticos. “Não há espaço para erros graves.”

A usina nuclear de San Onofre foi fechada em 2013, levando a um aumento nas emissões de dióxido de carbono na Califórnia. FOTO DE MIKE BLAKE, REUTERS

Uma rede variável e incerta

Em uma rede elétrica, o fornecimento deve corresponder precisamente à demanda em constante oscilação. Atualmente, não há grandes reservatórios para armazenamento de elétrons, como os que temos para água. As energias renováveis dificultam esse equilíbrio porque a quantidade de energia elétrica produzida varia — quando está nublado ou não está ventando, a rede precisa de mais energia proveniente de outras fontes.

O futuro da energia nuclear dependerá, em parte, de sua capacidade de equilibrar uma rede que depende cada vez mais de fontes renováveis. A energia nuclear é tradicionalmente considerada uma fonte de energia de carga básica — os reatores funcionam na maior parte do tempo para que os altos custos fixos sejam distribuídos pelo maior número de quilowatts-hora. Ao contrário das turbinas a gás, que podem ser ligadas e desligadas em segundos para “acompanhar a demanda”, os reatores levam uma hora ou mais para reduzir sua produção pela metade.

Não é que os reatores não conseguem acompanhar a demanda; eles são apenas mais lentos. “Eles conseguem e fazem porque é preciso”, explica Buongiorno. “Só que nunca é uma proposta econômica atraente.”

No fim de 2020, o DOE concedeu US$ 80 milhões a duas empresas que trabalham em projetos de reatores avançados destinados, em parte, a solucionar esse problema. A primeira, TerraPower, startup fundada por Bill Gates, está trabalhando em um reator refrigerado a sódio que, em vez de utilizar seu calor diretamente para acionar uma turbina e gerar eletricidade, armazena-o em um tanque de sal fundido, onde pode ser aproveitado para gerar energia elétrica quando necessário.

A segunda concessão foi destinada a uma empresa chamada X-energy com um reator refrigerado a gás que opera em temperaturas extremamente altas, produzindo vapor que pode ser utilizado em processos industriais e também para a geração de energia elétrica. Essa capacidade de “alteração da carga”, afirmam Finan e Buongiorno, pode ajudar os reatores nucleares a administrar a demanda variável de eletricidade — ao mesmo tempo em que ajuda a descarbonizar o setor. Reatores pequenos podem até mesmo ser instalados ao lado de uma fábrica que utiliza tanto calor quanto eletricidade. Contudo, os rejeitos radioativos de alta periculosidade produzidos por fábricas desse tipo precisariam ser transportados até uma central de gestão de resíduos.

Embora promissores, nenhum desses novos projetos está progredindo rápido o suficiente para possibilitar o cumprimento das metas de Biden. A decisão de apoiar esses dois projetos-piloto, cuja operação está prevista para até 2028, foi chamada pelos oficiais do DOE de a “estratégia mais ousada até o momento”.

Enquanto isso, há uma forma mais direta de equilibrar a variabilidade das energias renováveis: armazenar energia elétrica em baterias. O mercado de armazenamento em bateria em grande escala está explodindo: aumentou 214% em 2020. Além disso, a EIA prevê que a capacidade das baterias passe dos atuais 1,6 mil para 10,7 mil megawatts até 2023.

Makhijani acredita que a energia nuclear não será necessária para equilibrar a rede. Um estudo realizado por ele em 2016 para o estado de Maryland constatou que o aumento do armazenamento em bateria, combinado com incentivos aos consumidores para reduzir o uso de eletricidade nos horários de pico, quase permitiria às concessionárias equilibrar a variabilidade das energias renováveis.

Elas somente precisariam armazenar um pouco de energia na forma de hidrogênio, que pode ser produzido pela passagem de eletricidade renovável na água e, posteriormente, sua conversão novamente em eletricidade em uma célula de combustível. Atualmente, o processo é muito caro, diz Makhijani, mas “desde que não seja uma quantidade gigantesca, é acessível”.

Uma janela de oportunidade

A energia nuclear pode ser uma grande protagonista nas próximas décadas em todo o mundo. A China, o maior emissor de gases de efeito estufa, aumentou sua produção nuclear em 6% em 2020 e atualmente tem 17 novos reatores em construção, de acordo com o grupo comercial denominado Associação Nuclear Mundial. A Índia está construindo seis. É improvável que os Estados Unidos cheguem a esse número tão cedo.

Especialistas discordam sobre a necessidade de construir novas usinas nucleares nos Estados Unidos. Alguns modelos sugerem que seria possível, com as políticas adequadas, cumprir a meta de Biden de descarbonizar a rede até 2035 apenas com a expansão das energias renováveis.

As usinas nucleares que já existem são outra história. O benefício de mantê-las ativas por enquanto é mais amplamente aceito — embora Makhijani argumente que a energia livre de carbono poderia ser substituída com menos custos, investindo em novas fontes de energia, como a eólica e solar.

Como já foram construídos, esses reatores representam, basicamente, custos irrecuperáveis e, como a maioria está ativa há décadas, eles já se depreciaram. Ainda assim, em muitos lugares, a energia gerada por esses reatores precisa competir no mercado, o que não acontece em alguns casos. A Entergy Corporation, proprietária da usina de Indian Point, reconheceu que esse foi um dos fatores que levou à decisão de fechá-la.

A situação das usinas existentes tem grandes implicações: incluindo a Indian Point, sete gigawatts de energia nuclear correm o risco de serem interrompidos até 2026 devido à queda nos preços da energia elétrica.

“Desativar por completo as usinas nucleares elimina os ganhos com energias renováveis”, diz Buongiorno. Quando a Estação Geradora Nuclear de San Onofre, que produzia cerca de 8% da eletricidade da Califórnia, fechou em 2013, o custo local da eletricidade subiu e as emissões de dióxido de carbono na Califórnia aumentaram 9,2 milhões de toneladas no ano seguinte.

O relatório do MIT constatou que, na próxima década, a matriz energética permitirá obter a rede mais econômica e confiável possível. “Nossa análise demonstra que a melhor combinação inclui uma grande parcela de energia nuclear, uma grande parcela de energias renováveis e certa quantidade de armazenamento em baterias, possibilitando baixo teor de carbono, confiabilidade e menor custo”, afirma Buongiorno.

O que faz mais sentido para Michael Corradini, coautor do relatório e ex-diretor do Instituto de Energia de Wisconsin, são políticas federais que oferecem recompensas pelo uso de uma energia de baixo carbono e alto custo-benefício — independentemente da tecnologia. A tributação do carbono é um exemplo de política energética neutra em termos de tecnologia. Outro seria um padrão de energia renovável, do tipo proposto por Biden em seu pacote de infraestrutura. “Se o carbono for tributado, as pessoas substituirão os combustíveis por outras fontes mais econômicas”, diz Corradini.

No fim das contas, “precisamos de uma política que considere todas as opções acima”.

POR LOIS PARSHLEY
FONTE: National Geographic Brasil

O plano trilionário para capturar CO2 do ar e esfriar a Terra



A Carbon Engineering está planejando construir, no Texas, a maior usina de captura direta de ar do mundo

O ano é 2050. Saia do Museu do Petróleo da Bacia do Permiano, no Estado americano do Texas, e dirija em direção ao norte atravessando a vegetação castigada pelo sol, onde algumas bombas de óleo remanescentes compõem a paisagem, e você vai se deparar com um palácio cintilante.

A terra aqui é espelhada: as ondas azul-prateadas de um imenso painel solar se estendem em todas as direções.

Ao longe, eles esbarram em uma parede cinza colossal de cinco andares de altura e quase um quilômetro de comprimento. Atrás deste muro, você avista as tubulações e pórticos de uma fábrica de produtos químicos.

Conforme você se aproxima, vê que a parede está se movendo — ela é inteiramente composta de ventiladores enormes que giram em caixas de aço. Parece um aparelho de ar-condicionado gigantesco, soprando em proporções inacreditáveis.

De certa forma, é exatamente isso. Você está olhando para uma usina de captura direta de ar (DAC, na sigla em inglês), uma das dezenas de milhares do tipo em todo o mundo. Juntas, elas estão tentando resfriar o planeta sugando dióxido de carbono do ar.

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Esta paisagem texana ficou famosa pelos bilhões de barris de petróleo extraídos de suas profundezas durante o século 20. Agora, o legado desses combustíveis fósseis — o CO2 em nosso ar — está sendo bombeado de volta para os reservatórios vazios.

Se o mundo deseja cumprir as metas do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 °C até 2100, paisagens como esta podem ser necessárias em meados do século.

Mas voltemos por um momento até 2021, para Squamish, na Província canadense de British Columbia, onde, em contraste com um horizonte bucólico de montanhas nevadas, estão sendo feitos os últimos retoques em um dispositivo do tamanho de um celeiro coberto com uma lona azul.

Quando entrar em operação, em setembro, o protótipo da usina de captura direta de ar da Carbon Engineering começará a remover 1 tonelada de CO2 do ar todos os anos.


A usina piloto da Carbon Engineering em British Columbia, no Canadá, será o modelo para usinas de DAC muito maiores

É um pequeno começo, e uma usina um pouco maior no Texas está em andamento, mas esta é a dimensão típica de uma usina de DAC hoje.

"As mudança climática estão sendo causadas pelo excesso de CO2", diz Steve Oldham, executivo-chefe da Carbon Engineering. "Com a DAC, você pode remover qualquer emissão, em qualquer lugar, a qualquer momento. É uma ferramenta muito poderosa."

A maior parte da captura de carbono se concentra na limpeza das emissões na fonte: purificadores e filtros em chaminés que evitam que gases nocivos atinjam a atmosfera.

Mas isso é impraticável para pequenas e numerosas fontes pontuais, como os cerca de 1 bilhão de automóveis do planeta. Tampouco pode combater o CO2 que já está no ar. É aí que entra a captura direta.

Se o mundo quer evitar mudanças climáticas catastróficas, migrar para uma sociedade neutra em carbono não é suficiente.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) alertou que limitar o aquecimento global a 1,5 °C até 2100 exigirá tecnologias como a DAC para "implantação em larga escala de medidas de remoção de dióxido de carbono" — larga escala, neste caso, são vários bilhões de toneladas a cada ano.

O empreendedor Elon Musk prometeu recentemente US$ 100 milhões para desenvolver tecnologias de captura de carbono, enquanto empresas como Microsoft, United Airlines e ExxonMobil estão fazendo investimentos de bilhões de dólares nesta área.

"Os modelos atuais sugerem que vamos precisar remover 10 bilhões de toneladas, ou gigatoneladas, de CO2 por ano até 2050 e, no fim do século, esse número precisa dobrar", diz Jane Zelikova, cientista do clima da Universidade de Wyoming, nos Estados Unidos.

No momento, "não estamos removendo praticamente nada". "Precisamos começar do zero".

A usina da Carbon Engineering em Squamish foi projetada como uma plataforma de testes para diferentes tecnologias. Mas a empresa tem um projeto para uma usina muito maior nos campos de petróleo do oeste do Texas, que capturaria 1 milhão de toneladas de CO2 por ano.

"Uma vez que estiver pronto, é como uma forma, você simplesmente constrói réplicas dessa usina", diz Oldham.

Ele admite, no entanto, que o volume de trabalho pela frente é vertiginoso. "Precisamos extrair 800 gigatoneladas da atmosfera. Isso não vai acontecer da noite para o dia."

Céu azul

A ciência da captura direta de ar é simples. Há várias maneiras de fazer isso, mas o sistema da Carbon Engineering usa ventiladores para puxar ar contendo 0,04% de CO2 (níveis atmosféricos de hoje) por meio de um filtro embebido em solução de hidróxido de potássio — produto químico conhecido como potassa cáustica, usado na fabricação de sabão e vários outros produtos.


A instalação da Climeworks perto de Zurique, na Suíça, vende o CO2 que captura para as estufas de produtores de hortaliças da região

O hidróxido de potássio absorve CO2 do ar. O líquido é canalizado para uma segunda câmara e misturado com hidróxido de cálcio, a cal usada na construção civil, que se prende ao CO2 dissolvido, produzindo pequenos flocos de calcário.

Esses flocos são peneirados e aquecidos em uma terceira câmara, de calcinação, até que se decomponham, liberando CO2 puro, que é capturado e armazenado. Em cada etapa, os resíduos químicos são reciclados.

Com as emissões globais de carbono continuando a aumentar, a meta climática de 1,5 °C parece cada vez menos provável de ser alcançada sem intervenções como essa.

"O número de coisas que teriam que acontecer sem a captura direta de ar é tão extenso e variado que é altamente improvável que sejamos capazes de cumprir o Acordo de Paris sem ela", diz Ajay Gambhir, pesquisador sênior do Instituto Grantham para Mudança Climática da Universidade Imperial College London, no Reino Unido, e um autor de um artigo sobre o papel da DAC na mitigação do clima.

O IPCC apresenta alguns modelos de estabilização do clima que não dependem da captura direta de ar, mas Gambhir adverte que eles são "extremamente ambiciosos" em suas previsões sobre os avanços na eficiência energética e a disposição das pessoas em mudar seu comportamento.

"Passamos do ponto em que a redução das emissões precisava ocorrer", acrescenta Zelikova. "Estamos confiando cada vez mais na DAC."

A DAC está longe de ser a única maneira de o carbono ser retirado da atmosfera. Ele pode ser removido naturalmente por meio de mudanças no uso da terra, como o plantio de florestas.

Mas é algo lento e exigiria grandes extensões de terras valiosas — reflorestar uma área do tamanho dos Estados Unidos, segundo alguns estimam, e aumentar o preço dos alimentos em cinco vezes no processo.

E, no caso das árvores, o efeito da remoção do carbono é limitado, uma vez que elas acabarão morrendo e liberando o carbono armazenado, a menos que possam ser derrubadas e queimadas em um sistema fechado.

O tamanho do desafio para a remoção de carbono usando tecnologias como a DAC, em vez de plantas, não é menor.

O artigo de Gambhir calcula que simplesmente manter o ritmo das emissões globais de CO2 — atualmente, 36 gigatoneladas por ano — exigiria construir cerca de 30 mil usinas de DAC de larga escala, mais de três para cada central elétrica a carvão em operação no mundo hoje.

A construção de cada usina custaria até US$ 500 milhões — chegando a um custo de até US$ 15 trilhões.

Cada uma dessas unidades precisaria ser abastecida com solvente para absorver o CO2. O abastecimento de uma frota de usinas grande o suficiente para capturar 10 gigatoneladas de CO2 por ano vai exigir cerca de 4 milhões de toneladas de hidróxido de potássio, o equivalente a uma vez e meia todo o fornecimento anual global deste produto.

E uma vez que essas milhares de usinas forem construídas, elas também vão precisar de energia para funcionar.


Estimular o crescimento de hortaliças em estufas pode se uma aplicação para o CO2 capturado do ar pela DAC

"Se esta fosse uma indústria global absorvendo 10 gigatoneladas de CO2 por ano, você estaria gastando 100 exajoules, cerca de um sexto da energia global total", diz Gambhir.

A maior parte dessa energia é necessária para aquecer a câmara de calcinação a cerca de 800 °C — quente demais para a energia elétrica sozinha, então, cada planta de DAC precisaria de um aquecedor a gás e de uma boa fonte de gás.

As estimativas de quanto custa capturar uma tonelada de CO2 do ar variam amplamente, de US$ 100 a US$ 1 mil por tonelada.

Oldham diz que a maioria dos números é excessivamente pessimista — ele está confiante de que a Climate Engineering pode remover uma tonelada de carbono por apenas US$ 94, especialmente quando se tornar um processo industrial difundido.

Um problema maior é descobrir para onde enviar a conta. Incrivelmente, salvar o mundo acaba sendo algo muito difícil de vender, comercialmente falando.

A captura direta de ar resulta, no entanto, em uma mercadoria valiosa: milhares de toneladas de CO2 comprimido.

Isso pode ser combinado com o hidrogênio para produzir um combustível sintético neutro em termos de carbono. E poderia então ser vendido ou queimado nos aquecedores a gás da câmara de calcinação (onde as emissões seriam capturadas e o ciclo continuaria novamente).

Surpreendentemente, um dos maiores clientes do CO2 comprimido é a indústria de combustíveis fósseis.

À medida que os poços secam, não é incomum espremer o óleo restante do solo pressionando o reservatório usando vapor ou gás em um processo chamado recuperação aprimorada de petróleo.

O dióxido de carbono é uma escolha popular para isso e vem com o benefício adicional de reter esse carbono no subsolo, completando o estágio final de captura e armazenamento de carbono.

A Occidental Petroleum, que se associou à Carbon Engineering para construir uma planta de DAC em larga escala no Texas, usa 50 milhões de toneladas de CO2 todos os anos na recuperação aprimorada de petróleo.

Cada tonelada de CO2 usada dessa forma vale cerca de US$ 225 somente em créditos fiscais.

Talvez seja apropriado que o CO2 presente no ar acabe sendo devolvido ao subsolo dos campos de petróleo de onde veio, embora possa ser irônico que a única maneira de financiar isso seja buscando ainda mais óleo.

A Occidental e outras empresas esperam que, ao bombear CO2 no solo, possam reduzir drasticamente o impacto do carbono do petróleo: uma operação típica de recuperação aprimorada sequestra uma tonelada de CO2 para cada 1,5 tonelada que libera de óleo fresco.

Portanto, embora o processo reduza as emissões associadas ao petróleo, ele não equilibra as contas.

Outras alternativas

Mas há outros usos que podem se tornar mais viáveis ​​comercialmente. A Climeworks, empresa de captura direta de ar, tem 14 unidades de menor escala em operação sequestrando 900 toneladas de CO2 por ano, que vende para uma estufa para estimular o crescimento da plantação de picles.

E agora está trabalhando em uma solução de longo prazo: uma usina em construção na Islândia vai misturar CO2 capturado com água e bombeá-lo até 500 ou 600 metros abaixo do solo, onde o gás reagirá com o basalto ao redor e se transformará em pedra.

Para financiar isso, ela oferece às empresas e aos cidadãos a possibilidade de comprar crédito de carbono, a partir de meros 7 euros por mês. Será que o resto do mundo pode ser convencido a fazer isso?

"A DAC sempre custará dinheiro e, a menos que você seja pago para isso, não há incentivo financeiro", diz Chris Goodall, autor de What We Need To Do Now: For A Zero Carbon Future (O que precisamos fazer agora: para um futuro com carbono zero, em tradução livre).

A Climeworks pode vender créditos para pessoas virtuosas, firmar contratos com a Microsoft e a Stripe para tirar algumas centenas de toneladas de carbono por ano da atmosfera, mas isso precisa ser aumentado em um milhão de vezes, e requer que alguém pague por isso.

"Há subsídios para carros elétricos, financiamento barato para usinas solares, mas você não vê isso para DAC", diz Oldham.

"Há tanto foco na redução de emissões, mas não existe o mesmo grau de foco no resto do problema, o volume de CO2 na atmosfera. O grande impedimento para a DAC é que a ideia não está nas políticas".

Zelikova acredita que a DAC seguirá um caminho semelhante ao de outras tecnologias climáticas e se tornará mais acessível.

"Temos curvas de custo bem desenvolvidas que mostram como a tecnologia tem o custo reduzido muito rapidamente", afirma.

"Superamos obstáculos semelhantes com a energia eólica e solar. O principal é implementa-las ao máximo. É importante que o governo apoie a comercialização — ele tem um papel como primeiro cliente, e um cliente com o bolso cheio de dinheiro."


Instalações na Islândia pretendem mineralizar o CO2 para mantê-lo fora de circulação na atmosfera como uma solução de longo prazo

Goodall defende um imposto global sobre o carbono, o que tornaria caro emitir carbono, a menos que os créditos fossem adquiridos.

Mas ele reconhece que essa ainda é uma opção politicamente impopular. Ninguém quer pagar impostos mais altos, especialmente se os efeitos do nosso estilo de vida de alta demanda energética — incêndios florestais crescentes, secas, inundações, aumento do nível do mar — forem vistos como sendo arcados por outra pessoa.

Zelikova acrescenta que também precisa haver um diálogo mais amplo na sociedade sobre quanto devem custar esses esforços.

"Há um custo enorme nas mudanças climáticas, nos desastres naturais induzidos ou exacerbados. Precisamos acabar com a ideia de que a DAC deveria ser barata".

Risco e recompensa

Mesmo se concordarmos em construir 30 mil usinas de DAC em escala industrial, encontrar os materiais químicos para opera-las e o dinheiro para pagar por tudo isso, ainda não estaremos fora de perigo.

Na verdade, podemos acabar em uma situação pior do que antes, graças a um fenômeno conhecido como dissuasão da mitigação.

"Se você acha que a DAC estará lá no médio a longo prazo, você não fará tanta redução de emissões no curto prazo", explica Gambhir.

"Se a ampliação der errado — se for difícil produzir o adsorvente, ou se degradar mais rapidamente, se for mais complicado tecnologicamente, se acabar sendo mais caro do que o esperado —, então, de certa forma, por não ter agido rapidamente no curto prazo, você efetivamente se vê encurralado em um caminho de temperaturas mais altas."

Os críticos da DAC apontam que grande parte de seu apelo reside na promessa de uma tecnologia hipotética que nos permite continuar vivendo nosso estilo de vida rico em carbono.

Mesmo assim, Oldham argumenta que, para algumas indústrias difíceis de descarbonizar, como a da aviação, os créditos que financiam a DAC podem ser a opção mais viável.

"Se for mais barato e mais fácil retirar o carbono do ar do que parar de voar, talvez seja esse papel que a DAC desempenha no controle de emissões."

Gambhir argumenta, por sua vez, que não é uma situação do tipo "isso ou aquilo". "Precisamos reduzir rapidamente as emissões no curto prazo, mas, ao mesmo tempo, desenvolver a DAC com determinação para ter certeza de que poderemos contar com ela no futuro."

Zelikova concorda: "A DAC é uma ferramenta fundamental para equilibrar o orçamento de carbono, de forma que o que não podemos eliminar hoje possa ser removido mais tarde."

Enquanto Oldham busca expandir a Carbon Engineering, o fator primordial é provar que a DAC em larga escala é "viável, acessível e disponível".

Se ele for bem-sucedido, o futuro do clima do nosso planeta pode mais uma vez ser decidido nos campos de petróleo do Texas.

Artigo acadêmico gera controvérsia sobre quão difícil é medir a “pegada de carbono” do bitcoin


Um artigo polêmico e deveras incompleto gerou polêmica na comunidade cripto, já que é uma matéria árdua e quase impossível mensurar o impacto exato da mineração de criptomoedas (Imagem: Unsplash/executium)

Este mês, um artigo de um jornal acadêmico revisado por especialistas chegou à conclusão de que, sem intervenções políticas, as emissões de dióxido de carbono (CO₂) pela mineração de bitcoin (BTC) podem prejudicar bastante os objetivos da China em combater as mudanças climáticas.

O artigo, escrito por pesquisadores de diversas universidades chinesas e publicada na Nature Communications, instantaneamente inspirou manchetes parecidas em inúmeros sites de notícias, incluindo BBC, CNN, The Guardian, Economist, CNBC e outros.

Os autores afirmaram que em 2024, o consumo anual de energia pela mineração de bitcoin na China poderá atingir um pico de 269,59 de terawatts por hora (tWh) e gerar 130,5 milhões de toneladas métricas de emissões de dióxido de carbono.

Isso iria exceder o total anual de emissões de gás de efeito estufa da República Tcheca e do Catar, podendo ser uma ameaça à ambição de longo prazo da China em se tornar neutra em carbono.

Porém, os pesquisadores não responderam a duas questões fundamentais, segundo os críticos do documento: onde exatamente estão as máquinas de mineração e qual é a matriz energética?

“Eu esperava que grande parte dos dados tivesse relação a nível provincial, cobrindo a matriz energética dos mineradores chineses”, tuitou Nic Carter, sócio do Castle Island Ventures e cofundador da Coin Metrics.

“Mas não tem isso. Em vez disso, afirmam terem considerado isso, mas não mostraram no trabalho(!). Apenas afirmaram que quantificaram isso.”

No artigo, os pesquisadores afirmaram terem levado em consideração as emissões de carbono tanto da mineração de bitcoin via hidrelétricas e combustíveis fósseis na China.

“Conforme sugerido pelas verdadeiras estatísticas regionais dos mineradores de bitcoin, acreditamos que 40% das máquinas de mineração estão localizadas na área de combustível de carvão”, escreveram eles, sem explicar a origem dessas “estatísticas regionais”.

Após The Block ter entrado em contato com os autores para esclarecer essa questão, Shouyang Wang, professor titular da Academia de Matemática e Ciência de Sistemas da Academia Chinesa de Ciências, respondeu:

Obtivemos as estatísticas pela localização de transmissão de cada pool de mineração da BTC.com.

Com base na localização de cada pool de mineração e a região associada, conseguimos criar a hipótese de que aproximadamente 40% das máquinas de mineração se encontram em locais de combustível de carvão.

Em outra mensagem, Wang explicou o que os autores queriam dizer com “localização de transmissão de cada pool:

As estatísticas regionais de pools no BTC.com sugere uma divisão de aproximadamente 60% a 40% entre regiões com hidrelétricas e com combustível de carvão na China.

A proporção representa o poder computacional indicado em Shenzhen (localização de servidores próximos de regiões com muitas hidrelétricas) vs. Pequim (localização de servidores próximos de regiões com muito combustível de carvão).

A partir da declaração de Wang, parece que os pesquisadores basearam essa suposição em outra: que a localização de pools de mineração corresponde diretamente à localização de máquinas de mineração individuais.

Mas isso seria um equívoco de como as máquinas e os pools de mineração de bitcoin funcionam na prática.


Grande parte dos dados está desatualizada e incompleta; a participação da China na capacidade de mineração total da rede Bitcoin caiu significativamente nos últimos doze meses (Imagem: Facebook/Greenidge Generation LLC)

Pools de mineração de bitcoin agregam poder de hashing de qualquer máquina individual que querem conectar seu serviço para minerar blocos de forma coletiva.

Apesar de a F2Pool estar em Pequim, isso não significa que todas as máquinas conectadas ao pool também estão localizadas lá. Na verdade, eles podem estar em qualquer lugar da China ou do mundo.

Wang também confirmou que não obtiveram estatísticas internas de grandes pools de mineração sobre a geolocalização exata de cada um de seus clientes de mineração.

Em vez disso, eles usaram dados da Universidade de Cambridge, “que mostraram que 40% da taxa de hashes são impulsionadas por regiões com combustível de carvão, como Xinjiang e Mongólia Interior em abril de 2020”, segundo Wang.

Porém, os dados da Universidade de Cambridge estão desatualizados há um ano e a composição da rede de mineração está sempre mudando. Por exemplo, a participação da China na capacidade de mineração total da rede Bitcoin caiu significativamente nos últimos doze meses.

É impossível medir?

Hipóteses à parte, o debate sobre a metodologia do artigo levanta uma questão que está sendo difícil de ignorar conforme o bitcoin e outras criptomoedas se popularizam: como a matriz energética da rede Bitcoin pode ser medida com precisão?

A realidade é que a natureza descentralizada do bitcoin e de sua mineração torna extremamente difícil quantificar quanto da energia que a rede utiliza vem de energias renováveis ou não — fora as estimativas referentes às emissões de carbono.

O Cambridge Center for Alternative Finance (CCAF) realizou uma das mais novas tentativas de responder à pergunta com seu Índice de Consumo de Energia Elétrica do Bitcoin (CBECI).

O CBECI estima o consumo total de energia com um limite teórico inferior e superior entre 35 e 391 tWh anualmente.

O limite inferior supõe que todas as máquinas de mineração usando hardwares com baixo consumo de energia disponíveis todo o tempo enquanto o limite superior supõe que todas as máquinas estão usando os hardware menos eficientes o tempo todo.

O pesquisadores por trás do CBECI dão uma estimativa com “a melhor suposição” — com base na hipótese de que máquinas usam “uma cesta de hardwares rentáveis em vez de um único modelo” — de que a rede consome 113,88 tWh anualmente; quase o mesmo consumo dos Países Baixos.

O CBECI também fornece um panorama geográfico da taxa de hashes do Bitcoin com base em dados fornecidos por três pools de mineração de bitcoin: BTC.com, ViaBTC e Poolin.

O mapa de mineração do artigo, de abril de 2020, mostra que mineradores em Xinjiang e Mongólia Interior — duas regiões chinesas que utilizam combustíveis fósseis — totalizaram quase 40% da taxa global de hashes.

Enquanto isso, províncias hidrelétricas, como Sichuan e Yunnan, totalizaram quase 25% há um ano, segundo o CBECI.

Mas esses números não foram atualizados desde abril de 2020 e os dados foram fornecidos por apenas três pools que, juntos, totalizam apenas 35% da taxa de hashes total.

Além disso, o mapa de mineração do CBECI apenas capta o panorama geográfico da taxa de hashes entre setembro de 2019 e abril de 2020, período de seca na China.

Segundo o “disclaimer” do CBECI: “em alguns países e, principalmente, na China, operações de mineração tendem a migrar entre localizações de acordo com variações sazonais na produção de energias renováveis. Esses padrões de migração só podem ser observados ao selecionar um período mais longo para a análise”.

Durante a temporada de seca, um número significativo de mineradores nas províncias de Sichuan e Yunnan, no sudoeste da China, migram para o norte, em Xinjiang ou Mongólia Interior, onde a matriz energética tende a ser baseada em carvão.

Após o retorno da temporada de chuvas, que vai de maio a setembro, alguns podem voltar para o sul, onde existe bem mais energia hidrelétrica na matriz.

Uma contabilização mais precisa exigiria uma cooperação ao longo do ano de uma quantidade suficiente de pools de mineração de bitcoin que componham uma parte maior da taxa de hashes.

Seriam necessários não apenas a geolocalização de protocolos de internet (IPs) de cada máquina de mineração — seja em Sichuan, Yunnan, Xinjiang ou Mongólia Interior —, como também o modelo exato de cada máquina.

Isso porque as máquinas de mineração de bitcoin evoluíram significativamente nos últimos anos e diversos modelos antigos ainda estão sendo utilizados.

Por exemplo, para computar a mesma quantidade de taxas de hash, o modelo S9, de cinco anos atrás, da série Antminer, consome quatro vezes a quantidade de energia elétrica utilizada por S19 Pro, o modelo mais eficiente do mercado atualmente.

É quase impossível saber qual é a composição exata das máquinas sendo utilizadas, principalmente durante um ciclo de alta, quando inúmeros modelos ultrapassados ainda podem ser usados para obter rentabilidade.

Outra abordagem técnica — apesar de ser algo bem mais difícil — seria convencer autoridades energéticas em diferentes países a identificar quantas fazendas de mineração de bitcoin existem localmente e quanta energia consomem.

Compromissos não são suficientes para combater mudanças climáticas, diz diretor executivo da IEA


Para o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), Fatih Birol, é notório o alto nível de comprometimento dos países em metas ambiciosas contra mudanças climáticas, mas os “compromissos não são suficientes”.

“As emissões estão caminhando para o segundo maior aumento da história. Não estamos nos recuperando da crise da covid-19 de uma forma sustentável e continuamos avançando para níveis perigosos de aquecimento global”, disse o executivo.

Birol apresentou dados desanimadores durante conferência com representantes do setor de energia de diversos países na Cúpula do Clima nesta sexta (23). Estimativas da IEA apontam que 2021 registrará o segundo maior aumento de emissões de gases do efeito estufa da história.

“Nós precisamos de mudança real no mundo real. Neste momento, os dados não casam com a retórica”, alertou.


Segundo o diretor da IEA, será necessário transformar todo o sistema de energia para alcançar a neutralidade em carbono e investir pesado em novas tecnologias para alcançar as metas anunciadas pelos países durante a Cúpula.

“Isso significa cortar drasticamente as emissões de caminhões, navios e aviões. Também precisaremos do mesmo para indústrias de aço, cimento, química e agricultura”, afirmou.

De acordo com estudos da IEA, para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, metade da redução das emissões depende de tecnologias que ainda não estão disponíveis no mercado.

Apesar disso, Birol vê motivos para otimismo com o crescimento exponencial das energias renováveis no mundo. “Geração de eletricidade renovável, incluindo solar e eólica, baterá recorde este ano”.

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Ilhas de painéis solares flutuantes podem mitigar emissões globais de CO²


Enquanto os países investem na energia solar para evitar novas emissões de gases de efeito estufa e honrar com seus compromissos climáticos, um projeto apresentado por cientistas europeus busca uma abordagem mais ampla para o uso das placas solares.

Apresentado na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences jornal, o trabalho propõe a instalação de milhões de “ilhas solares” artificiais para a captação do CO² presente na água do mar.

Com 100 metros de diâmetro, cada uma delas produziria energia limpa através de uma cobertura de painéis fotovoltaicos, iguais aos que consumidores fazem uso no kit de energia solar para casas e empresas.

Essa energia alimentaria navios laboratórios, responsáveis pela captação do CO² e hidrogênio da água do mar, e sua conversão em metanol, combustível utilizado no setor de transportes.

Para isso, os cientistas propõem o uso de equipamentos de dessalinização e eletrólise da água marinha para obtenção do hidrogênio, com o estudo apresentando protótipos para a captura do CO² e sua hidrogenação em metanol.

Com uma produção estimada de 15.300 toneladas do combustível por ano, calcula-se que 3.2 milhões dessas ilhas seriam suficientes para compensar todas as emissões globais provenientes dos combustíveis fósseis.

Segundo seus autores, o projeto é especialmente importante devido ao fato de que as fontes de energia renováveis ainda não conseguem poupar por completo o uso dos combustíveis fósseis, responsáveis pelas emissões dos gases que alimentam o aquecimento global.

Entretanto, muitos desafios ainda persistem, como as condições climáticas locais que poderiam danificar e/ou inviabilizar os projetos.

Nessa questão, os cientistas afirmam que os locais mais indicados são as linhas costeiras ao longo do equador, como Indonésia, norte da Austrália e o Brasil, que apresentam muita radiação solar e pequenas ondas.

Os custos também seriam outro desafio, razão pela qual escolheu-se a geração fotovoltaica como fonte elétrica, que a cada ano fica mais acessível com a queda do preço da energia solar.