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Renováveis ​​e geopolíticas: a água e o sol giram para a nova ordem mundial

Em nossa série de entrevistas sobre energia renovável e geopolítica, a Indra Øverland - chefe do Centro de Pesquisas Energéticas do Instituto Norueguês para Assuntos Internacionais - explica por que a energia hidrelétrica pode ser a combinação perfeita para energias renováveis ​​intermitentes como a solar e a eólica. Os ativos da hidroeletricidade são uma das maiores histórias geopolíticas da transição energética, mas quase não recebem atenção. Nações com forte potencial hídrico podem tornar-se elementos-chave das energias renováveis ​​regionais.

A energia hidrelétrica, particularmente o armazenamento bombeado, pode ser a chave para a transição da energia renovável. Imagem: MikeGoad / Pixabay

Apesar de não estar incluída entre as “novas” tecnologias de energia renovável, espera-se que a energia hidrelétrica desempenhe um papel fundamental no futuro sistema energético mundial, de acordo com Indra Overland, chefe do Centro de Pesquisa Energética do Instituto Norueguês para Assuntos Internacionais.

"Enquanto muitas pessoas que escrevem e falam sobre a geopolítica da transição energética estão obcecadas com materiais críticos, ameaças à segurança cibernética e apagões de eletricidade, a hidrelétrica é na verdade uma das maiores histórias geopolíticas na transição energética, mas quase não recebe atenção", disse Overland. revista pv.

Ele destacou que a infraestrutura hidrelétrica pode durar com manutenção mínima e, assim, tornar-se extremamente barata, mesmo que seu gasto inicial de capital seja considerável. Além disso, a hidroeletricidade é o acompanhamento perfeito para energias renováveis ​​intermitentes, como a solar e a eólica, porque é uma tecnologia barata, madura e comprovada para armazenamento de energia que pode ser ativada e desativada rapidamente.

Embora os laboratórios em todo o mundo pesquisem freneticamente as tecnologias de armazenamento de energia na esperança de abordar os problemas de intermitência e transmissão associados à energia solar e eólica, existe uma solução na forma de energia hidrelétrica. "Ao contrário de outras tecnologias de energia renovável, a energia hidrelétrica não é dependente de materiais críticos ou futuros avanços tecnológicos", disse o professor Overland. “Devido à sua adequação para armazenamento, o uso de energia hidrelétrica para a carga de carga da rede elétrica, como muitos países fazem, beira a insanidade tanto no sistema energético quanto nos termos geopolíticos.”

Hydro sem obstáculo para a energia solar

Imagem: Norsk Utenrikspolitisk Institutt (NUPI)
A energia hidrelétrica está se expandindo em muitas partes do mundo, com a maioria dos países em desenvolvimento que têm recursos hídricos significativos construindo barragens. Alguns países desenvolvidos, por outro lado, estão removendo a infraestrutura hidrelétrica, mas na maior parte são barragens pequenas negligenciadas. "Em termos de capacidade de geração de megawatts e saída de megawatt-hora, a energia hidrelétrica está se expandindo globalmente e continuará a fazê-lo, especialmente porque está cada vez mais conectada à expansão da geração solar e eólica", disse Overland.

A abundância de qualquer recurso energético - carvão, gás natural ou hidro - pode facilmente tornar-se um obstáculo ao desenvolvimento de fontes de energia alternativas, menos maduras e, portanto, mais caras. O aprisionamento institucional e de infra-estrutura também representa ameaças, como Overland explicou. "Se os engenheiros e especialistas em energia de um país são treinados para lidar com um tipo de energia, é preciso tempo para estabelecer outro", disse ele. “E uma vez que a infraestrutura de grande escala foi construída para um tipo de energia, normalmente será mais barato renovar ou ampliar essa infraestrutura do que criar uma nova infraestrutura a partir do zero. No entanto, no caso da energia hídrica, solar e eólica, grande parte da infra-estrutura deve se sobrepor, já que eles são todos sobre geração de eletricidade, então a energia hidrelétrica não deve ser um obstáculo a longo prazo ”.Indra Overland

Chave hidráulica bombeada para integração de renováveis

A hidro-bomba deve se tornar uma tecnologia-chave para a integração de energia hidrelétrica com novas tecnologias de energia renovável. "É simples, altamente viável e pode ser implementado na maioria das barragens de hidrelétricas", disse Overland. “Ao bombear a água reversa para a represa quando a demanda por eletricidade é baixa, ou há um excedente de eletricidade na rede, essa eletricidade pode ser armazenada na forma de água na represa e liberada novamente quando houver necessidade. Assim, a hidroelétrica bombeada aumenta a capacidade de armazenamento e a flexibilidade de uma usina hidrelétrica, o que a torna, por sua vez, um parceiro ainda melhor para a energia solar e eólica. ”

O especialista em energia considera a energia hidrelétrica como a fonte de energia renovável mais geopolítica. “Países com grandes recursos hidrelétricos têm a oportunidade de se tornar o eixo dos complexos regionais de energia renovável”, disse ele. Esses países teriam a chance de apoiar a expansão da energia solar e eólica doméstica e nos países vizinhos e gerar receita de exportação ao mesmo tempo. A lista dessas nações inclui Angola, República Democrática do Congo, Etiópia, Guatemala, Quirguistão, Tadjiquistão, Nepal, Butão, Laos, Noruega, Paraguai, Suíça e Geórgia.

Logicamente, a transição energética deve permitir que essas nações desempenhem papéis regionais mais importantes. "Mas é claro que isso depende da integração de redes elétricas, mercados e preços, que por sua vez dependem da remoção de subsídios, e todos eles dependem da integração e cooperação regional", disse Overland. Isso significa que os países ricos em recursos hídricos também devem se tornar propulsores da desregulamentação e integração do mercado de energia no país e no exterior, ajudando a transformar os sistemas de energia e a política regional.

Um importante avanço tecnológico está sendo fornecido pelo PV flutuante. "Acho que tanto a energia solar flutuante quanto a hidroelétrica são tecnologias-chave para o futuro e podem se reforçar mutuamente", acrescentou Overland. "Desde que haja energia suficiente para preencher a lacuna quando não há luz do sol, não há quase nenhum limite para a quantidade de energia solar flutuante que pode ser construída - além do acesso a superfícies de água adequadas."

A energia hidrelétrica é intermitente

As represas hidrelétricas são ótimas baterias, então a tecnologia tem muito menos problemas de intermitência do que a solar e a eólica. No entanto, a intermitência ainda é um problema, mesmo se medido em épocas e anos, em vez de horas e dias.

Por terra avisou que, se os eventos climáticos extremos se tornarem mais frequentes devido à mudança climática, a energia hidrelétrica será afetada como a energia solar e o vento. Em países onde o escoamento glacial é uma parte importante do sistema hidrológico, a mudança climática pode ter consequências particularmente graves.

As geleiras acumulam nevascas variadas durante o inverno, que se espalham uniformemente durante os meses de verão. Assim, as geleiras funcionam como um amortecedor estabilizador entre o fluxo do rio e as variações anuais na precipitação.

"Quando as geleiras se forem, seu efeito estabilizador no fluxo do rio será perdido e os efeitos das secas serão exacerbados", acrescentou Overland. “À luz do impacto da mudança climática na energia hidrelétrica, é importante assegurar o uso bem planejado e cauteloso dos recursos hidrelétricos para lidar com as variações na precipitação.”

Go hydro, não nuclear

O professor de energia destacou dois países com um enorme potencial para combinar a energia solar e hídrica com as economias vizinhas: o Egito e o Uzbequistão.

Overland explicou que o Egito evidentemente tem um potencial solar incrível, mas também tem uma população em rápida expansão que pode consumir muito mais eletricidade. "Assim, a velocidade máxima e a extensão do desenvolvimento da energia solar é imperativa para o Egito, mas não pode resolver inteiramente a dependência do país no Nilo", disse Overland. Para resolver o problema, o governo egípcio precisa controlar o crescimento populacional.

“Também é importante para o Egito evitar repetir seus erros passados ​​e desperdiçar os novos recursos de gás que encontrou, o que pode se tornar uma distração”, acrescentou Overland. "O Egito deve ter como objetivo tornar-se tão bom em governança energética quanto no belo jogo de squash, onde é a única superpotência do mundo".

O Uzbequistão, outro país a jusante, dependente dos seus rios e vizinhos a montante e com um imenso potencial para a energia solar, iniciou recentemente uma dramática transformação política que poderá transformar a Ásia Central. "Mas, como os egípcios, os uzbeques precisam evitar distrações, como o plano de construir uma usina nuclear em cooperação com a Rússia, potencialmente sobrecarregando o Uzbequistão com corrupção, dívidas e questões ambientais por muito tempo", disse Overland.

Preocupações ambientais

Quando questionado sobre o impacto social e ambiental da energia hidrelétrica, Overland apontou que questões semelhantes poderiam estar associadas a qualquer projeto de infraestrutura.

"Imagine a quantidade de terra coberta por estradas, instalações industriais, lixões, aeroportos, agricultura e assim por diante", ele respondeu. “Se você tentar estimar, os números são espantosos. Então, não vejo por que as represas hidrelétricas devem ser um problema tão grande comparado a tudo o mais ”. Na sua opinião, existem sistemas bem desenvolvidos para lidar com as conseqüências sociais dos projetos de infraestrutura, em termos de avaliações de impacto ambiental e consultoria. com as comunidades e garantir que os direitos sejam respeitados.

"O problema é que esses sistemas muitas vezes não são usados ​​adequadamente, como no caso da represa Myitsone em Mianmar, envolvendo acordos obscuros entre uma empresa do governo chinês, o governo birmanês e um conglomerado birmanês", disse Overland.

Tal como acontece com a energia eólica, que é frequentemente sujeita a resistência local, se os residentes têm propriedade e uma parte da receita gerada, é muito mais provável que sejam receptivos.

“É claro que algumas barragens não devem ser construídas, independentemente dos benefícios para os habitantes locais, porque o impacto ambiental é simplesmente muito grande”, concluiu Overland.

Em suas entrevistas anteriores para esta série, a Indra Overland discutiu questões geopolíticas relacionadas à China, Rússia, Arábia Saudita, armazenamento, super-redes e a geopolítica da transição energética.

Conferência Nacional de PCHs CGHs discute energia renovável em Curitiba

(Dino)

As fontes de energia limpa e renovável com enfoque em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) serão debatidas entre os dias 08 e 10 de maio, no Salão de Atos do Parque Barigui, em Curitiba.

A capital paranaense irá sediar a 3ª edição da Conferência Nacional de PCHs e CGHs – evento realizado pela Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (Abrapch) – e que reunirá empreendedores do setor, autoridades do governo e especialistas.

As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) são empreendimentos de 5 até 30 megawatts (MW) de potência. Já as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) vão de 1 até 5 (MW) e os seus reservatórios devem ter menos de 13 km² de área.

Números – Ao todo, o Brasil conta com 1.124 PCHs e CGHs em operação, que geram 420 mil empregos diretos. Porém, 493 empreendimentos aguardam licenciamento ambiental estadual para obtenção de autorização ou outorga junto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Considerando aquelas em operação, em construção, em estudos e inventariadas, totaliza-se algo em torno de 3 mil plantas.

Apenas para os projetos que podem ser viabilizados no Brasil – 737 CGHs e 1069 PCHs e que somam 1806 centrais – os investimento previstos são da ordem de R$ 49 bilhões. As PCHs estão situadas em 3º lugar entre as fontes de energia do país com 5.943 MW gerados.

De acordo como presidente da diretoria executiva da Abrapch, Paulo Arbex, durante o evento serão discutidas medidas a serem apresentadas ao novo governo. “A política equivocada dos últimos 20 anos resultou em um aumento explosivo de 450% acima da inflação nas tarifas de energia para a sociedade, um aumento de 700% nas emissões do setor elétrico, desemprego e desindustrialização”, enumerou.

Ele lembrou que os países mais desenvolvidos do mundo apoiam seus pequenos empreendedores e esgotaram seu potencial hidrelétrico antes de partirem para fontes fósseis e outras menos eficientes.
Demandas do setor – Entre as principais demandas da Abrapch estão a manutenção do mercado, ampliar a informação sobre os benefícios ambientais e sociais dos empreendimentos e a desburocratização do processo de licenciamento ambiental, tendo em vista que o tempo de espera para o licenciamento das PCHs tem sido, em média, de nove anos.

“Estes são temas fundamentais para que possamos garantir os investimentos em PCHs e reduzir os custos da energia no Brasil”, afirmou o presidente do Conselho Administrativo Abrapch, Valmor Alves.

A Conferência tem como objetivo fomentar o debate técnico e discutir aspectos regulatórios, socioambientais, econômicos e políticos da implantação e operação de PCHs e CGHs.

Programação – A programação está dividida em workshop, sessões executivas e plenária, abordando segurança de barragens e previsibilidade de acidentes, projeções econômicas para o setor e leilão de energia, licenciamento e gestão sócio ambiental, comunidades vizinhas, financiamentos e captação de recursos, políticas públicas para o fomento de PCHs e CGHs.

Inaugurações – Durante a Conferência será lançada a Frente Parlamentar Mista em Defesa das PCHs e CGHs, na Câmara Federal, e do Bloco Parlamentar das Energias Renováveis, na Assembleia Legislativa do Paraná.

Já a cidade de Curitiba ganhará da Abrapch uma central geradora hidrelétrica, que irá gerar 30 kilowatts de energia para abastecer toda a iluminação do Parque Barigui. A turbina, que está sendo instalada no lago do Parque, é utilizada em baixas quedas para geração de energia e contribui para melhoria da fauna aquática e nível de oxigênio da água. A inauguração será no dia 10 de maio, às 12h30 .

Cenário Nacional – O Brasil é o terceiro maior gerador de energias renováveis – aquelas que não liberam resíduos ou gases poluentes na atmosfera – de todo o planeta, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). O último relatório da Secretaria de Energia Elétrica (SEE) do Ministério de Minas e Energia (MME), apontou que até 2018 as energias limpas somaram 82,2% do total produzido no Brasil, sendo que mais de 70% são representadas pelas hidrelétricas.

Serviço:
3 ª edição da Conferência Nacional de PCHs e CGHs
Data : 08 a 10 de maio

Como armazenar energia solar e eólica usando apenas água


Franz George Pikl, da Universidade Técnica Graz (Alemanha) afirmou que a tecnologia levará à construção de centrais de energias renováveis e sem as intermitências, das fontes de energia verde tradicionais, como a energia eólica e a energia solar que não produzem eletricidade continuamente.

A ideia de Franz é simples, combinando as vantagens da tecnologia de armazenamento bombeado e de armazenamento de calor utilizando água pura como forma para criar uma usina hidroelétrica reversível de armazenamento de água quente. Com isto o sistema armazena e fornece energia elétrica, refrigeração e calor, de acordo com o que for necessário.

Central hidroelétrica reversível

O primeiro elemento do sistema para armazenar energia solar e eólica em água é a hidroeletricidade de armazenamento bombeado, uma tecnologia disponível especialmente em países montanhosos, já que exige uma diferença na elevação entre dois reservatórios e também em quantidades suficientes de água.

Quando a produção de energia é maior do que a demanda, o excesso de eletricidade é utilizado para bombear água do reservatório inferior para o mais alto. Quando a demanda de eletricidade aumenta, a água flui para baixo e impulsiona as turbinas que geram então energia.

Franz implementou este princípio em uma estrutura localizada no subterrâneo. Túneis subterrâneos são usados para criar a diferença de altura entre os dois reservatórios, independentemente da localização.

A segunda parte do sistema de armazenamento de energias renováveis são acumuladores de calor, onde a energia térmica é guardada. Graças à sua grande capacidade específica de calor, a água funciona como um meio eficiente de armazenamento de energia térmica.

A energia renovável é usada para esquentar a água até 90°C, energia térmica que é guardada e usada por meio de trocadores de calor instalados nos reservatórios subterrâneos.


Quando a demanda por calor é alta, ela pode ser fornecida de forma direta por meio das redes de aquecimento urbano.

A terceira parte do sistema de armazenamento de energia solar e eólica em água é a tecnologia de refrigeração. Quando é preciso, quer dizer, em dias quentes, a água quente aciona resfriadores que produzem energia de resfriamento que é distribuída aos clientes através dos encanamentos.

Para garantir um suprimento contínuo de energia de resfriamento para diversas zonas de temperatura, o sistema pode ir resfriando a água dos túneis da usina hidroelétrica reversível.

Meio ambiente e lucro

A combinação desses sistemas muito eficientes, com fatores de eficiência de 80% para o armazenamento de calor e eletricidade, resulta em um significativo aumento no armazenamento total de energia se comparado à implementação separada, e o nível de consumo de recursos continua.

Graças a este novo sistema que armazena energia solar e eólica em água, diversas fontes de energia renovável poderão ser agrupadas através de uma infraestrutura conectada à rede de energia que auxiliará a indústria de energia a superar os desafios que enfrenta.

A instalação desse sistema também é o destaque devido à sua rentabilidade. O período de retorno é menor do que em usinas comuns de armazenamento reversível.

Outro ponto alto do projeto são os aspectos ecológicos, pois, é possível alcançar uma operação de emissão zero, não precisa de nenhum espaço aberto e a usina para armazenar energia renovável não atinge o balanço de água natural, diminuindo assim o impacto ao meio ambiente.

Franz Pikl está no momento tentando conseguir o apoio de diferentes empresas de energia para construir um protótipo de armazenamento bombeado por água quente.

Por que a conta de energia elétrica tende a aumentar

Geólogo diz que danos ao meio ambiente também devem ser maiores.Foto: Divulgação

Presidente da Associação de Pequenas Centrais Hidrelétricas de Goiás (APCH), o geólogo Sevan Naves faz um alerta preocupante: a conta de energia elétrica deve aumentar. De acordo com ele, os danos ao meio ambiente também tendem a ser maiores.

Sevan Naves indica que a razão por trás disso está no aumento da demanda gerada pelo reaquecimento da economia. “Se a indústria começar a reagir como está reagindo, aumentará a demanda e faltará energia. Dessa forma, o preço ficará mais caro”, argumenta.

Segundo o geólogo, o Estado já está no limite de geração de energia e, com o aumento da demanda, a solução será utilizar as usinas termelétricas que estão desativadas, resultando no acréscimo da conta a ser paga pela população.

Além disso, as usinas termelétricas acarretam em uma maior emissão de gases do efeito estufa, o que prejudica o meio ambiente. “Na hora em que forem reativadas, será queimado combustível fóssil.”

PCHs

Pioneiro na geração de energia elétrica após a abertura do governo federal para a área privada no final dos anos 1990, Sevan Naves defende o uso das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). “O impacto é pequeno e a energia é mais barata. Para diminuir o preço da energia, tem que estimular as hidrelétricas.”

Contundo, o geólogo lamenta que tenha sido criada uma “ojeriza contra as hidrelétricas”. “Se elas são combatidas, a saída será por meio de combustível fóssil”, frisa. “As termelétricas devem ser acionadas apenas em casos de emergência.”

Sevan Naves sublinha que o potencial hidráulico de Goiás é grande. “Há abundância”, garante. Mas este potencial, ressalta, é pouco utilizado. “Nos Estados Unidos, por exemplo, utiliza-se cerca de 90% do potencial hidráulico. No Brasil, nem 20%. E, em Goiás, nem 10%.”

O que dificulta a implementação das PCHs, para ele, é o licenciamento ambiental “muito complicado”. “Não é nem necessário dar incentivo fiscal. Basta ter um processo mais justo de licenciamento ambiental, assim como ocorre em outros Estados”, sugere.

O geólogo lembra que as PCHs podem contribuir também no combate à crise hídrica porque seguram a água nas cabeceiras. “A questão da crise hídrica é de gestão, e não de falta de água. Se houver uma barragem segurando, dá para administrar e fazer uma gestão melhor.”

Energias limpas

Sevan Naves enviou aos governadoriáveis uma carta em que ele trata sobre a geração de energia limpa, renovável, barata e de qualidade. Nela, o geólogo esclarece a diferença entre os dois tipos de fonte de energia, permanente e intermitente.

“A permanente é a que pode gerar 24 horas ao dia e conta. Em Goiás, com a hidrelétrica, a térmica à base de combustível fóssil (gás, diesel) e a nuclear. Já a intermitente é aquela que gera em períodos e modos específicos e, por isto, precisa ser complementada por uma energia permanente. É representada pela solar (fotovoltaica), eólica e a biomassa, podendo esta, bem planejada, ser permanente”, afirma.

O presidente da APCH pontua que cada fonte tem características próprias, como disponibilidade, preço e poluição. Em relação ao último, há tanto a energia limpa — hidrelétrica, solar, eólica e biomassa — quanto a energia suja — térmica (gás e diesel) a combustível fóssil e a carvão.

“Exemplificando, a energia intermitente solar, que, além de desmatar, só gera das 8 horas às 16 horas, é três vezes mais cara que a PCH e tem o problema do lixo de metais pesados nas placas após 20 anos, precisa ser complementada por fonte permanente”, diz trecho da carta.

Sevan Naves conclui que, para completar a geração pela fonte intermitente solar, é mais “equânime” e “razoável” que se utilize outra energia limpa, como a PCH, e não energia suja, como é feito com a térmica a combustível fóssil.

ENEL

Procurada pela reportagem, a Enel, antiga Celg, diz que está prevista uma revisão tarifária a vigorar a partir de 22 de outubro, conforme os percentuais propostos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que podem sofrer alterações até a aprovação final.

“A empresa reforça que o ajuste proposto pelo regulador na revisão tarifária se deve, em grande parte, a fatores externos não gerenciados pela distribuidora, como custo de compra energia e encargos setoriais”, explica.

Além de considerar na definição da tarifa os custos de geração da energia, os de transporte até o consumidor — transmissão e distribuição — e os encargos setoriais, a revisão tarifária tem como objetivo estabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da concessão.

Sevan Naves considera a vinda da Enel a Goiás como algo positivo porque, de acordo com ele, a capacidade de investimento do Estado diminuiu. “O importante é o que a sociedade precisa, ou seja, energia barata, de qualidade e disponível. E a Enel tem capacidade a médio e longo prazo para trazer benefícios.”

Dicas para economizar energia

A pedido do Jornal Opção, a Enel elaborou uma série de dicas para a população economizar energia. Confira:
Acostume-se a aproveitar a luz natural durante o dia
De preferência para lâmpadas fluorescentes compactas em locais que ficam com as luzes acesas mais de quatro horas; elas consomem menos e duram dez vezes mais.
Na hora de comprar um eletrodoméstico, verifique se ele possui o Selo Procel de Economia de Energia classe A, que são os campeões da economia.
Não ligue muitos aparelhos na mesma tomada com o uso de T’s, pode provocar aquecimento nos fios, causando desperdício de energia e até mesmo acidentes graves.
Verifique as condições de suas instalações elétricas periodicamente.
Instalações antigas, com muitas emendas ou feitas com fios de telefone, causam desperdício de energia e podem causar incêndios.
Pinte as paredes e tetos com cores claras, que refletem melhor a luz.
Use iluminação dirigida para leitura, como abajures e luminárias.
Em uma viagem longa, desligue a chave geral da casa.

Geladeira

– Não utilize a parte de trás para secar objetos.
– Degele e limpe a geladeira com frequência.
– Não forre as prateleiras do seu refrigerador, isso dificulta a circulação interna do ar.
– Instale o aparelho em um local bem ventilado, longe do fogão, aquecedor e áreas expostas ao sol.

Ferro de passar roupa

– Junte o máximo de peças de roupas para passá-las de uma única vez.
– De preferência aos ferros a vapor, que são mais econômicos.
– Comece passando os tecidos mais delicados, que necessitam de menos calor, até chegar às peças mais pesadas.
– Sempre que precisar interromper o serviço, desligue o ferro.

Chuveiro elétrico

– Feche a torneira para se ensaboar.
– Tome banhos rápidos e, se possível, com a chave de temperatura na posição “verão”, o que pode reduzir o consumo em até 30%.
– Compre sempre chuveiros de menor potência (2 a 6 kW), que são eficientes e consomem menos.
– Limpe com frequência os orifícios de saída de água. Se eles não estiverem limpos, você terá menos água e o chuveiro terá que ficar mais tempo ligado.

Ar-condicionado

– Evite a entrada de sol no ambiente refrigerado e instale o aparelho em um ambiente com boa circulação de ar.
– Mantenha os filtros de ar limpos.
– Compre o equipamento com potência adequada ao tamanho do ambiente onde você pretende instalá-lo.

Máquina de lavar roupas

– Procure lavar de uma só vez a quantidade máxima de roupas indicada pelo fabricante.
– Use a dose certa indicada no manual para reduzir o número de enxágues.
– Mantenha o filtro limpo.

Fonte: Jornal Opção

Brasileiros criam mini-hidrelétrica que permite gerar energia elétrica em casa


Dois jovens curitibanos desenvolveram uma inovação tecnológica que traria tranquilidade a muitos brasileiros: o sonho da usina elétrica própria. Conforme apurou a Tribuna do Paraná, os engenheiros mecânicos Felipe Wotecoski, 31, e Juliano Rataiczyk, 30, desenvolveram um equipamento capaz de gerar energia no quintal de casa com impacto reduzido ao meio ambiente.

Com o tamanho similar ao de um fogão de quatro bocas, a microusina é capaz de gerar até 720 Kilowatts/hora por mês, energia suficiente para abastecer de três a quatro residências e ainda devolver um pouco de energia à rede elétrica. A economia, com essa quantidade de energia, é de aproximadamente R$ 500 mensais com a conta de luz, de acordo com os engenheiros.

A alternativa é sustentável e parte do princípio da energia renovável. “As megausinas hidrelétricas são muito grandes e difíceis de gerenciar. A ideia é descentralizar esta produção, com equipamentos simples de instalar, operar e fazer manutenção, para dar conta da crescente demanda de energia que temos visto a cada ano. Temos cada vez mais aparelhos eletrônicos dentro de casa”, conta Felipe.


Limitação geográfica

Embora seja inovadora, a ideia das microusinas tem uma limitação: para instalar uma do tipo em casa, é preciso ter uma fonte de água perto da propriedade – um rio ou riacho, até mesmo um vertedouro, ou seja, uma disponibilidade mínima de água – e uma queda natural de pelo menos 15 metros de altura, para que a correnteza tenha força suficiente para acionar a turbina da usina.

Conforme Felipe Wotecoski, um dos criadores do equipamento, nestas condições, o fluxo de cinco litros de água por segundo é suficiente. É uma quantidade pequena, visto que uma descarga consome nove litros por segundo. Um cano de PVC de tamanho médio (40 milímetros) poderia ser suficiente. Mas, para evitar travamentos no caminho e a água fluir mais rápido, os engenheiros optaram por utilizar um cano maior, como os usados em instalações sanitárias de uma residência. Indústrias que possuem pontos de água sob pressão também podem ter os equipamentos.


A operação para instalação da usina é simples: é preciso substituir o relógio comum da concessionária de energia por outro bidirecional, que mede a quantidade de energia usada na rede da operadora e o volume devolvido à rede.

O relógio calcula a diferença e, se a pessoa consumiu mais energia da rede do que da microusina, paga só esta diferença.

Mas se não consumiu nada da rede e ainda jogou energia da micro usina para ela, vai ganhando créditos, que podem ser usados ao longo de 60 meses. O usuário pode aproveitar estes créditos em quaisquer outros imóveis sob o mesmo CPF ou CNPJ.

E o que sobra da energia produzida é jogada de volta na rede, que pode ser usada pela vizinhança (igual como acontece com outros sistemas, como os de energia solar e eólica). Uma micro usina hidrelétrica “caseira” pode ter quantos módulos forem necessários, multiplicando a produção. E a vantagem de ter mais módulos é que, se um dos equipamentos para de funcionar por algum motivo, os outros continuam suprindo a demanda, pois apesar de interligados, agem independentes.


O custo da instalação de cada módulo é de R$ 19.900, mas o valor reduz se forem instalados mais do que um. E a expectativa é que o custo reduza em breve, tão logo as encomendas e a produção em série aumente.

Quem já enxerga as vantagens do projeto é o empresário Daniel Collere. Ele mora no município de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, e tem uma chácara em Antonina. Foi na chácara dele que os jovens engenheiros instalaram os primeiros protótipos, testaram e conseguiram as devidas licenças e homologações para produzir e comercializar as micro usinas em larga escala.

Daniel conta que o fornecimento de energia na região, à beira do Rio do Nunes, é muito instável, principalmente quando chove ou venta muito. E a chegada do equipamento hidrelétrico veio em boa hora. Reduziu as perdas de aparelhos elétricos queimados (antena parabólica, antena da Sky, geladeira, etc.) e deu um “alívio” pro bolso. “Vou para lá só aos fins de semana. Mas fim de tarde e noite sempre falta luz. Ficávamos à luz de velas. Chegava até a ser romântico”, brinca Daniel, que gasta cerca de 300 Kw/h por mês na propriedade. A usina é capaz de pagar a conta de luz da chácara e ainda manda créditos para abater da residência do empresário, em Colombo.


“É um investimento que, pra mim, se paga em menos de três anos. É um projeto legal e que ainda ajuda a natureza. Tenho tanques de peixes e, antes, eu oxigenava a água com a queda natural da água, de um rio que passa em cima da chácara. Como agora a água passa pela turbina da micro usina, desce bem mais oxigenada para o tanque. E o equipamento não altera em nada as propriedades da água, nem polui”, afirma ele, que conseguiu otimizar a produção de tilápias.

Startup

A Metha, empresa aberta por Felipe e o sócio Juliano para o desenvolvimento da microusina, foi a única do Paraná selecionada no programa Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa (Finep) para receber R$ 1 milhão, dinheiro que irá permitir à startup instalar sua linha de montagem e selecionar distribuidores do equipamento em todo o país.

A iniciativa está sendo desenvolvida dentro do Vale do Pinhão, o movimento da Prefeitura e do ecossistema de inovação da capital para tornar Curitiba a cidade mais inteligente do país, e acelerado pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná).

Via Haus.

Além de sustentáveis, energia eólica e pequenas centrais hidrelétricas são ótimos investimentos

No cenário internacional, o Brasil é destaque no segmento e pioneiro nas instalações de empreendimentos eólicos na América Latina.


O ar em movimento que leva o barco a vela e embala com poesia a canção de Arnaldo Antunes (“Do Vento”, álbum Paradeiro – 2001) é hoje um negócio de US$ 28 bilhões no país. Segundo a ABEEOLICA (Associação Brasileira de Energia Eólica), cerca de 35% dos US$ 80 bilhões investidos em energias renováveis no Brasil de 2006 até 2015 foram direcionados para o segmento eólico. Isso com um investimento acumulado de 1998 a 2015.

No cenário internacional, o país é destaque no segmento e pioneiro nas instalações de empreendimentos eólicos na América Latina. No continente, foi o primeiro a pôr em prática políticas de incentivo a essa tecnologia. O mercado eólico brasileiro apresenta posição de destaque no cenário mundial. Conquistou desde 2015 as posições de 9ª maior capacidade instalada, 5° maior gerador de empregos e 4° maior volume de investimentos.

A geografia brasileira é claramente um ponto forte, que se apoia na capacidade complementar do sistema energético já existente no país. O movimento que incrementou o crescimento do parque eólico no Brasil data de 2008. A isso soma-se a queda nos custos de produção e uma oferta relevante de fornecedores. 

A inconstância dos ventos em determinadas regiões têm sido equacionadas com sistemas complementares nas plantas energéticas, o que em um futuro breve tende a ser estabilizado com uso constante de fontes despacháveis para compensar as oscilações dos ventos (o que em certos lugares ainda é um desafio para operação do sistema). Regiões como o Ceará, com grande potencial eólico, por exemplo, tem aumentando cada vez mais o percentual do setor em sua matriz energética.

No clima do Acordo de Paris

Muito além de produzir resultados financeiros para os investidores, a energia eólica segue a tendência mundial de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o que contribui para a sustentabilidade e para proteger o futuro do planeta. O ganho para o segmento foi enorme com os acordos internacionais firmados em atenção às mudanças climáticas. É fato que a redução das emissões de gases de efeito estufa passa a ter maior protagonismo nas agendas nacionais. A adoção do Acordo de Paris na 21ª Conferência das Partes (COP 21) da UNFCCC, em 2015, sabe-se, representou um marco.

O Acordo de Paris fortaleceu a resposta global aos desafios impostos pela ameaça do aquecimento global. E estabelece a audaciosa meta de limitar o aumento da temperatura média do planeta a um patamar inferior a 2 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para que o limite de 1,5 grau Celsius não seja ultrapassado. O acordo estabelece as bases para a cooperação internacional, a partir de 2020, por meio da adoção de compromissos nacionais – as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs – Nationally Determined Contributions) – e pela adoção de um processo sistemático para o cumprimento desses compromissos.

A contribuição brasileira inclui a redução de 37% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) nacionais até 2025 (1.346 milhões de toneladas equivalentes de carbono – tCO2e), além de uma indicação de redução de 43% das emissões nacionais até 2030 (1.208 milhões tCO2e) com base nos níveis registrados em 2005.

Além do vento, pequenas hidrelétricas: menos é mais

Assim como o parque eólico, as pequenas centrais hidrelétricas (“PCHs”) são uma tendência em um tempo em que menos é mais. Exatamente para garantir o mínimo de impacto ambiental, cresce o investimento em PCHs, usinas de pequeno porte com capacidade instalada entre 3 MW e 30 MW e área de reservatório de até 3 quilômetros quadrados, segundo definição da ANEEL. Por conta de suas características e possibilidade de implantação perto de grandes centros, esse tipo de empreendimento representa uma opção promissora para complementar a matriz elétrica brasileira.

Desde que publicou em 2015 a resolução que autoriza a implantação e exploração de aproveitamento de potencial hidráulico com características de Pequena Central Hidrelétrica, 51 outorgas foram publicadas e 505 atos foram emitidos pela ANEEL. Somando-se todas as PCHs, a potência total é de 7.660,40 MW – o equivalente a duas usinas hidrelétricas de grande porte como Santo Antônio e Jirau, em Rondônia. Os investimentos são da ordem de R$ 58,6 bilhões, o que fortalece a economia dos Estados. Há estados brasileiros campeões de PCHs com plantas aprovadas: Paraná, com 84, Goiás, com 82, Minas Gerais, com 69, e Mato Grosso, com 64 unidades.

Tendo como foco oportunidades de investimento em ativos reais no Brasil, a Vision Brazil Investments investe desde 2008 no setor de energia renovável do país. Atualmente a gestora investe em três projetos de PCH em processo de emissão de outorga perante a ANEEL (todos com projeto básico já aprovado pelo órgão regulador), representando mais de 50 MW de potência instalada.

A Vision Brazil Investments acredita no setor e na importância das PCHs para a base energética do Brasil, principalmente com a perspectiva de o país retomar o crescimento nos próximos anos. O que se espera é que a economia e o governo brasileiros voltem a oferecer condições compatíveis que permitam aos empreendedores continuar investindo e desenvolvendo projetos de geração de energia.

No longo prazo, como todos os países do mundo preocupados com as mudanças climáticas, o Brasil tende a aliar ainda mais a ampliação de seu parque eólico com investimentos nas PCHs. É uma tendência que certamente se expandirá. O investimento, não há dúvida, será uma grande contribuição para a sustentabilidade energética do mundo.

É o que se vislumbra, nos próximos anos, nas diretrizes do planejamento energético brasileiro: investimentos sustentáveis e eficientes. Sejam pequenas centrais hidrelétricas, que não apenas impactam menos o meio ambiente mas reduzem as perdas energéticas nas linhas de transmissão, seja a energia solar – outra alternativa com forte potencial de investimentos. E, claro, os sopros eólicos, tão ecológicos e potencialmente sustentável quanto poéticos. Afinal, das nuvens de areia às folhas no quintal, do vento vem tudo.

Fonte: Terra

Custos de energia eólica e solar cairão cada vez mais rápido, aponta relatório

A previsão deste ano da BNEF vê os custos da energia solar caindo 66% mais até 2040, e a energia eólica onshore 47%, com as fontes renováveis enfraquecendo a maioria das usinas fósseis existentes até 2030.

As fontes de energia renovável, como solar e eólica, deverão receber quase três quartos dos US$ 10,2 trilhões que o mundo investirá em novas formas de tecnologia de geração ao longo dos anos até 2040, de acordo com uma ampla previsão independente.

O estudo New Energy Outlook (NEO) 2017, a mais recente previsão de longo prazo da Bloomberg New Energy Finance, mostra um progresso mais rápido, do que sua versão do ano passado, para a descarbonização do sistema de energia mundial – com as emissões globais projetadas para atingir o pico em 2026 e ser 4% menores em 2040 do que estavam em 2016.

“O relatório deste ano sugere que a transição para um sistema elétrico mundial renovável não irá parar, graças à rápida queda dos custos de energia solar e eólica, e um papel cada vez mais crescente das baterias, inclusive as de veículos elétricos, no equilíbrio entre oferta e demanda”, disse Seb Henbest, principal autor do NEO 2017 da BNEF.

O NEO 2017 é o resultado de oito meses de análise e modelagem por uma equipe de 65 pessoas na Bloomberg New Energy Finance. Baseia-se, essencialmente, nos projetos anunciados em cada país, além da previsão econômica de geração de eletricidade e na dinâmica do sistema de energia. Assume que os subsídios atuais expiram e que as políticas de energia em todo o mundo permanecem em seu rumo atual.

Seguem abaixo alguns dos principais resultados da previsão deste ano:

• Energia solar e eólica dominam o futuro da eletricidade. Esperamos que US$ 7,4 trilhões sejam investidos em novas usinas de energia renovável até 2040, o que representa 72% dos US$ 10,2 trilhões em investimentos projetados para geração de energia em todo o mundo.

A energia solar levará US$ 2,8 trilhões, e terá um salto de 14 vezes de capacidade. A eólica receberá US$ 3.3 trilhões e terá um aumento de quatro vezes de capacidade. Como resultado, as energias eólica e solar representarão 48% da capacidade instalada no mundo e 34% da geração de eletricidade até 2040, em comparação com os apenas os respectivos 12% e 5% atuais.

• A energia solar desafia o carvão cada vez mais. O custo nivelado da energia solar de painéis fotovoltaicos (PV), que agora é quase um quarto do que era em 2009, deverá baixar outros 66% até 2040. Até lá, um dólar comprará 2,3 vezes mais energia solar do que hoje.

Essa energia já é pelo menos tão barata quanto o carvão na Alemanha, Austrália, EUA, Espanha e Itália. Em 2021, será também na China, Índia, México, Reino Unido e Brasil. (Para definição de custos nivelados, veja a nota abaixo.)

• Os custos de energia eólica onshore caem rapidamente e os de offshore mais ainda. Os custos nivelados de energia eólica offshore cairão impressionantes 71% até 2040, com o auxílio da experiência de desenvolvimento, competição e risco reduzido, e economia de escala resultante de projetos e turbinas maiores.

O custo da energia eólica onshore cairá 47% no mesmo período, além da queda de 30% nos últimos oito anos, graças à turbinas mais baratas e mais eficientes e procedimentos de operação e manutenção simplificados.

• A China e a Índia são uma oportunidade de US$ 4 trilhões para o setor de energia. Esses países representam 28% e 11%, respectivamente, de todo o investimento em geração de energia até 2040. A região da Ásia-Pacífico verá quase tanto investimento em geração quanto o resto do mundo combinado.

Deste modo, a energia eólica e solar receberão, cada uma, aproximadamente um terço do valor total, enquanto 18% irá para a energia nuclear e 10% para o carvão e o gás.

• Baterias e novas fontes de capacidade flexível reforçam o alcance de energias renováveis. Esperamos que o mercado de baterias de íon de lítio para armazenamento de energia acarretará pelo menos US$ 239 bilhões entre hoje e 2040.

As baterias de larga escala competem cada vez mais com o gás natural para fornecer flexibilidade ao sistema em horários de pico.

As baterias de pequenas dimensões, instaladas em residências e empresas ao lado dos sistemas fotovoltaicos, representarão 57% do armazenamento em todo o mundo até 2040. Prevemos que as energias renováveis atinjam 96% de penetração no Brasil até 2040, 82% nos México e 86% no Chile.

• Os veículos elétricos reforçam o uso de eletricidade e ajudam a equilibrar a matriz. Na Europa e nos EUA, os veículos elétricos representarão 13% e 12%, respectivamente, da geração de eletricidade até 2040.

Recarregando veículos elétricos de forma flexível, quando renováveis estão gerando e preços de energia estão baixos, irá ajudar o sistema a adaptar à intermitência da geração solar e eólica. O crescimento desses veículos reduz o custo das baterias de íon de lítio, chegando a uma queda de 73% até 2030.

• O amor dos proprietários de residências por energia solar cresce. Até 2040, os painéis solares fotovoltaicos residenciais representarão até 24% da eletricidade na Austrália, 20% no Brasil, 15% na Alemanha, 12% no Japão e 5% nos EUA e na Índia.

Isso, combinado com o crescimento das energias renováveis em larga escala, reduz a necessidade de plantas de carvão e gás existentes, cujos proprietários enfrentarão uma pressão contínua sobre suas receitas, apesar de um crescimento de demanda por causa de veículos elétricos.

• Geração termoelétrica a partir do carvão colapsa na Europa e nos EUA, continua a crescer na China, e atinge o ápice global até 2026. A demanda fraca, o baixo custo das renováveis e a substituição do carvão por gás reduzirão o consumo de carvão em 87% na Europa até 2040.

Nos EUA, o uso de carvão para geração de energia cairá 45%, já que as plantas antigas não serão substituídas e outras começarão a queimar gás mais barato. A geração de carvão na China crescerá um quinto na próxima década, mas atinge seu pico em 2026. Globalmente, esperamos que 369GW de novas plantas de carvão planejadas sejam canceladas, sendo um terço delas da Índia, e que a demanda global de carvão para geração de energia diminua 15% entre 2016-40.

• O gás é um combustível de transição, mas não da maneira como a maioria das pessoas imagina. Energia a gás receberá US$ 804 bilhões em novos investimentos e aumentará 16% em capacidade até 2040.

As usinas de gás atuarão cada vez mais como uma das tecnologias flexíveis necessárias para atender aos picos de demanda e proporcionar estabilidade ao sistema em uma era de geração renovável crescente, em vez de atuarem como uma substituição à produção base (baseload) de carvão.

Nas Américas, no entanto, onde o gás é abundante e barato, ele desempenha um papel mais central, especialmente no curto prazo.

• As emissões do setor de energia global atingem seu pico em pouco mais de dez anos, depois diminuem. As emissões de CO2 da geração de energia aumentam em um décimo antes de atingir o pico em 2026. As emissões caem mais rápido do que anteriormente estimado, alinhando-se com a geração máxima de carvão da China.


Esperamos que as emissões da Índia sejam 44% inferiores às da nossa análise NEO 2016, uma vez que o país adote a energia solar e prevê investimentos de US$ 405 bilhões para construção de 660GW de novos painéis fotovoltaicos. Globalmente, até 2040 as emissões terão caído para 4% abaixo dos níveis de 2016, o que não é suficiente para evitar que a temperatura média global cresça mais de 2°C.

Um investimento adicional de US$ 5,3 trilhões em 3.9TW de capacidade zero-carbono seria necessário para manter o planeta na trajetória da meta de 2°C.

Nos Estados Unidos, a administração de Trump expressou apoio ao setor de carvão. No entanto, o NEO 2017 indica que a realidade econômica nas próximas duas décadas não irão favorecer a energia baseada em carvão nos EUA, que tem uma redução prevista de 51% na geração até 2040. Em seu lugar, a eletricidade a gás aumentará 22% e renováveis 169%.

Uma das grandes questões para o futuro dos sistemas elétricos é como grandes quantidades variáveis de geração eólica e solar podem ser acomodadas e ainda manter as luzes acesas a todos os momentos.

Os céticos se preocupam que as energias renováveis ultrabaratas depreciem os preços de energia e desalojem as produções de carvão, de gás e usinas nucleares.

Elena Giannakopoulou, analista líder no projeto NEO 2017, disse: “A previsão deste ano mostra o carregamento inteligente de veículos elétricos, sistemas de bateria em pequena escala nos negócios e nas famílias, além de armazenamento em grande escala na rede, desempenhando um papel importante na suavização dos picos e lacunas causado pela geração variável de eólica e solar”.

Jon Moore, presidente-executivo da BNEF, disse: “O NEO reflete a compreensão que nossa equipe acumulou ao longo de mais de uma década de como os custos de tecnologia e a dinâmica do sistema evoluíram e estão evoluindo.

O NEO deste ano mostra uma transição ainda mais dramática para baixo carbono do que projetamos nos anos anteriores, com queda mais acentuada nos custos eólicos e solares e um crescimento mais rápido para armazenamento de energia”.

Nota: O custo nivelado da eletricidade cobre todas as despesas de geração de uma planta nova. Estes custos incluem desenvolvimento de infraestrutura, licenciamento e permissões, equipamentos e obras civis, finanças, operações e manutenção e matéria-prima (se houver).

Madeira: produção de energia elétrica aumenta 2,4%, eólica dispara 39,2%

No primeiro trimestre a Madeira teve uma produção de energia elétrica de 208,9 GWh.

A produção de energia elétrica na Madeira registou um aumento de 2,4% no primeiro trimestre. Destaque para a subida assinalável da produção eólica com 39,2% e a quebra de 40,4% nos resíduos sólidos urbanos. A fonte hídrica teve um crescimento de 9,1% face ao período homólogo, de acordo com a Direção Regional de Estatística (DREM).

No primeiro trimestre a produção de energia elétrica chegou aos 208,9 GWh na Madiera o que representa uma subida de 2,4% face ao período homólogo. A fonte térmica teve uma peso assinalável nesta produção com 122,6 GWh sendo fortemente influenciada pelo diesel (96,1 GWh), dizem os dados da DREM.

A produção hídrica passou de 8,2 para os 16,8 GWh durante o primeiro trimestre na Madeira.

É de assinalar ainda a subida de 39,2% e a quebra de 40,4% a nível da produção eólica e dos resíduos sólidos face os valores registado no período homólogo. As fontes fotovoltaicas e gás natural também tiveram decréscimo nos valores de produção de energia elétrica.

Fonte: Jornal Econômico

Energia renovável emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo

O setor de energia renovável, incluindo hidrelétricas, responde por 10 milhões de empregos no mundo (Arquivo/Agência Brasil).

Sobradinho – A Usina Hidrelétrica de Sobradinho tem capacidade total de 1050 megawatts, mas com a falta de água só tem sido possível gerar cerca de 160 megawatts (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O setor de energia renovável, incluindo as grandes hidrelétricas, emprega mais de 10 milhões de pessoas no mundo, de acordo com dados da quinta edição do relatório Renewable Energy and Jobs – Annual Review, lançado hoje (8) na 15º Reunião do Conselho da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), em Abu Dhabi. De acordo com o relatório, em 2017 foram criados mais de 500 mil empregos, um aumento de 5,3% em relação a 2016.

Segundo a Irena, organização intergovernamental global com 156 membros, a China, o Brasil, os Estados Unidos, a Índia, Alemanha e o Japão continuam a ser os maiores empregadores do mercado de energia renovável no mundo, representando mais de 70% de todos os empregos no setor globalmente.

“Embora um número crescente de países esteja colhendo os benefícios socioeconômicos das energias renováveis, a maior parte da produção ocorre em relativamente poucos países e os mercados domésticos variam enormemente em tamanho”, avalia a agência.

Para a Irena, a economia global poderá criar até 28 milhões de empregos no setor até 2050, com a descarbonização do sistema energético. Os dados mostram que a produção de energia solar fotovoltaica continua sendo o maior empregador de todas as tecnologias de energia renovável, respondendo por cerca de 3,4 milhões de empregos. A estimativa é que a China responda por dois terços dos empregos fotovoltaicos, equivalente a 2,2 milhões, o que representa uma expansão de 13% em relação a 2016.

Ao lado da China, Blangladesh, Indía, Japão e os Estados Unidos são os principais empregadores no mercado de energia solar fotovoltaica no mundo. Juntos, os cinco países respondem por cerca de 90% dos empregos em energia solar fotovoltaica em todo o mundo.
Brasil

No Brasil, o relatório destaca que o número de empregos no segmento de biocombustíveis aumentou 1% em 2017, totalizando 593 400 postos de trabalho. “Os empregos em etanol diminuíram devido à constante automação e ao declínio da produção de etanol”, aponta a agência.

Apesar da queda na produção de empregos no setor de etanol, a agência disse que houve compensação com os empregos gerados pelo biodiesel. A Irena estima que o Brasil empregou 202 mil pessoas no setor de biodiesel em 2017, 30 mil a mais em relação ao ano anterior.

Já no que diz respeito à indústria eólica, o levantamento estima que o setor emprega cerca de 33.700 pessoas na fabricação, construção, instalação, operação e manutenção. Em 2017, a indústria eólica fechou o ano com 12,8 GigaWatts (GW) de energia acumulados.

De acordo com a agência, novas instalações no mercado de aquecimento solar no Brasil caíram 3% em 2017. O emprego total em 2017 foi estimado em cerca de 42.000 postos de trabalho, com cerca de 27.500 na indústria transformadora e 14.500 na instalação.

Segundo Adnan Z. Amin, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável, a energia renovável tornou-se um pilar do crescimento econômico de baixo carbono para governos em todo o mundo, um fato refletido pelo crescente número de empregos criados no setor. Ainda segundo o diretor da agência, os dados também ressaltam um quadro cada vez mais regionalizado, destacando que os benefícios econômicos, sociais e ambientais das energias renováveis são mais evidentes nos países onde existem políticas atraentes para o setor.

Fonte: ISTOÉ

Cemig vai fornecer energia solar fotovoltaica dentro de um ano

Com investimento de R$ 24,4 milhões, Cemig vai instalar painéis fotovoltaicos flutuantes em cima de espelho d’água de reservatório localizado no Norte de Minas.
Projeto será implantado em Santa Marta, no município de Grão Mogol, onde já existe uma PCH 
(foto: Cemig/Divulgação)

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vai instalar a primeira usina híbrida de geração de energia do país, com a geração de energia solar fotovoltaica. O projeto será implantado na localidade de Santa Marta, no município de Grão Mogol (Norte de Minas). O investimento é de R$ 24,4 milhões, envolvendo também os recursos aplicados em pesquisa e desenvolvimento.

A principal inovação é que serão instalados painéis fotovoltaicos flutuantes, em cima do espelho d’água do reservatório de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) já existente. O projeto vai permitir o estudo da conexão de duas fontes de energia diferentes no Sistema Interligado Nacional (SIN), objetivando promover o desenvolvimento sustentável da região.

A usina híbrida será instalada em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (Mab), sendo o maior projeto desenvolvido pela estatal em conjunto com os movimentos sociais. O prazo de implementação é de quatro anos, mas a geração deverá ser iniciada dentro de um ano, com a conexão com o SIN. De acordo com a Cemig, o projeto visa “promover, de forma social, a região onde será inserido o desenvolvimento econômico, que vai permitir o estudo da conexão de duas fontes de energia diferentes no sistema.

O convênio com o Mab foi assinado pelo governador Fernando Pimentel na quinta-feira. A iniciativa também terá a participação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e das subsidiárias da Cemig, Axxiom Soluções Tecnológicas e Efficientia S.A, que ficarão responsáveis pela instalação das células fotovoltaicas e a supervisão, controle e automação da conexão das fontes de energia com o sistema nacional.

O projeto visa aproveitar as boas condições de luminosidade da região para a produção de energia elétrica. Conforme revelou reportagem publicada pelo Estado de Minas, o estudo Atlas Solarimétrico de Minas Gerais, realizado pela Cemig ao longo de cinco anos, mostrou que o Norte de Minas tem o melhor potencial para a geração de energia solar do estado. O mesmo estudo revela que seis microrregiões mineiras têm potencial para geração solar em um patamar que é praticamente o dobro da capacidade da Alemanha, país que há anos recorre a esse tipo de energia.

EMPREGO E RENDA - Santa Marta tem uma Pequena Central Hidrelétrica, construída há mais de 60 anos e que tem 1MW de potência de geração hídrica. Conforme a Cemig, serão instaladas células fotovoltaicas com potência total de 1,2 MWp (megawatt-pico) no espelho d’água do reservatório da pequena hidrelétrica, que abrange uma área de 27 hectares (27 campos de futebol).

Com a instalação da planta-piloto fotovoltaica flutuante, a usina híbrida passará a uma potência total de 2,2MW no momento de maior radiação solar do dia. Essa energia será usada para abastecer 1,25 mil famílias de 21 municípios, localizados numa região semiárida, próxima do reservatório. Além disso, serão gerados emprego e renda, com o aproveitamento de mão de obra oriunda das cidades do entorno.

Fonte: em.com.br

Projeto de lei prevê fim de desconto em taxa para pequenos geradores de energia limpa


Está na pauta de votações da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) projeto de lei que define o ano de 2027 como prazo final para o desconto de 50% no uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica concedido aos pequenos geradores de energia a partir de fontes de energia limpa.

O projeto (PLS 622/2015) também elimina a possibilidade de a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) custear o desconto. Apresentada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), a proposta foi modificada pelo relator na CAE, Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE).

As pequenas hidrelétricas (com potência de até 3 mil kilowatts) e as usinas solares, eólicas, de biomassa e de cogeração qualificada com potência de até 30 mil kilowatts pagam pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição tanto sobre a energia que produzem como sobre a que consomem.

Esses produtores, que incluem os pequenos sistemas de energia solar instalados em residências e prédios comerciais, por exemplo, vendem o excesso da energia gerada à respectiva distribuidora e constituem o que o setor chama de geração distribuída.

Segundo o autor do projeto, com o avanço das fontes alternativas, o subsídio concedido pela Lei 9.427/1996 e pago pela CDE vai ficando cada vez maior. E, como a CDE é mantida por tarifa paga pelos consumidores finais, em especial os grandes consumidores, ou seja, as indústrias, ele adverte que, “sem o ajuste proposto, empresas responsáveis pela geração de emprego e renda custearão ainda mais parte da energia direcionada aos consumidores regulados [pequenos consumidores, que não podem escolher de qual produtor comprar]”.

Cálculo da tarifa

O PLS 622/2015 também modifica o cálculo da tarifa de compra de energia pelos consumidores finais. Pela Lei 10.438/2002, o custo de aquisição de energia elétrica e o de contratação de capacidade de geração pelo Executivo são divididos entre todos os consumidores, na proporção do consumo de cada um, sem considerar a fonte da energia adquirida ou o tipo de consumidor, se regulado ou livre (grandes consumidores que têm liberdade para escolher de quem comprar, na maior parte, indústrias).

Otto Alencar propõe que o cálculo do valor de referência do custo da aquisição de energia proveniente de geração distribuída — que integra o cálculo global da tarifa — seja feito segundo a fonte, levando em conta também a quantidade adquirida de cada fonte.

Segundo o autor, o fim do desconto em 2027 coincide com o fim do subsídio da CDE às usinas elétricas que usam carvão, o que corrigiria distorções.

Para Alencar, os benefícios das alterações seriam a redução da necessidade de construir grandes hidrelétricas, termelétricas e linhas de transmissão e das perdas elétricas. Além disso, argumenta, com a eliminação dos descontos concedidos pela Lei 9.427/1996 e a proibição de que eles sejam cobertos pela CDE, seriam reduzidas as distorções econômicas causadas pelo modelo brasileiro de encargos setoriais pagos pelos consumidores, que impedem um maior crescimento da geração de energia a partir de fontes alternativas. Outra consequência seria a redução do custo da energia para os grandes consumidores que, no atual modelo, acabam subsidiando as tarifas do mercado regulado.

Em seu substitutivo à proposta, Bezerra concorda com o fim do desconto, sob o argumento de que a “manutenção indevida pode significar que essa política estatal fracassou e que recursos públicos estão sendo gastos sem uma contrapartida benéfica para a sociedade, além de impedir o setor de continuar se desenvolvendo.

O desconto em questão remonta ao ano de 1998 e, entre diversos sinais de que já atingiu seu objetivo, pode ser citado que em recentes leilões a energia eólica obteve preço de venda inferior ao de diversas hidrelétricas”. Ele acrescentou, no entanto, que a norma deve valer apenas para os contratos feitos após a publicação da lei.

Quanto à retirada da CDE do ônus de arcar com o desconto, Bezerra reconhece que há subsídio cruzado, mas lembra que, como o desconto incide tanto na produção quanto no consumo de energia elétrica, os consumidores livres que compram energia das fontes incentivadas também recebem o desconto. Além disso, como o PLS 622 não prevê outra fonte de recursos para o pagamento do desconto, o relator propõe a supressão desse item do projeto.

Valor de referência

Outra alteração importante feita pelo relator refere-se ao cálculo do valor de referência da energia adquirida da geração distribuída. Ele esclarece que, após a apresentação da proposta, o Ministério de Minas e Energia editou portaria que adota, entre outros critérios, o de fixar um valor de referência para cada fonte de geração de energia elétrica.

Bezerra argumenta, no entanto, que o cálculo de uma média ponderada das quantidades adquiridas de cada fonte de geração de energia elétrica não está prevista na portaria e que se trata de tema muito técnico e minucioso para ser tratado em lei. Ele mantém o cálculo do valor de referência com discriminação da fonte de energia, mas retira a previsão de média ponderada.

Depois de analisado pela CAE, o PLS 622/2015 segue para a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), que terá decisão final, caso não haja recurso para votação em Plenário.

FONTE: Ambiente Energia

Brasil contrata energia eólica e solar a preço mais baixo que hídrica pela 1ª vez

O Brasil fechou nesta semana a contratação de novas usinas de energia eólica e de geração solar a preços menores que os de hidrelétricas, que são tradicionalmente o carro-chefe e a mais barata fonte de produção de eletricidade no país.

Os leilões de segunda e quarta-feira para contratação de energia registraram fortes deságios ante os preços teto estabelecidos pelo governo, em meio a uma acirrada disputa dos investidores interessados em construir os empreendimentos, que deverão ser entregues entre 2021 e 2023.

Os resultados mostraram a sede de investidores como Enel Green Power, AES Tietê e EDP Renováveis em vender energia renovável nos primeiros leilões para projetos eólicos e solares desde 2015, após o governo cancelar licitações no ano passado devido à falta de demanda por eletricidade em meio à crise financeira do país.

“Tivemos quase dois anos sem leilão, então isso faz com que os fornecedores… mergulhem o preço, e isso ajuda a explicar o preço baixo. Mas ainda assim, se você me perguntasse duas semanas atrás, eu não esperaria que rompessem patamares tão baixos”, disse à Reuters o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rego.

“A conjuntura favoreceu, a taxa de juros está caindo, isso acaba interferindo no resultado”, acrescentou o consultor.

No leilão A-6 desta quarta-feira, os projetos eólicos chegaram a negociar a venda da produção futura por um preço médio de cerca de 98 reais por megawatt-hora, contra uma mínima recorde anterior, em licitação de 2012, de quase 119 reais atualizado pela inflação.

Na contratação da segunda-feira, o chamado leilão A-4, as usinas solares praticaram preços médios de cerca de 145 reais, contra uma mínima de 245 reais de um pregão de 2014.

Enquanto isso, as hidrelétricas tiveram preço médio de cerca de 219 reais nesta quarta-feira, contra valores médios entre 218 e 213 reais de usinas termelétricas a biomassa e gás natural.

DISPUTA ACIRRADA

O resultado histórico para as renováveis, com forte deságio frente aos preços teto estabelecidos para os leilões, foi fruto de enorme disputa entre investidores para fechar os contratos de longo prazo para entrega de energia às distribuidoras.

Por parte dos investidores, destacaram-se estrangeiros, como os italianos da Enel Green Power, com projetos eólicos e solares e presença nos dois certames, a AES Tietê, da norte-americana AES Corp, que viabilizou usinas solares, além da EDP Renováveis, da portuguesa EDP, e da francesa Voltalia, que também viabilizaram empreendimentos.

Juntos, os dois leilões realizados nesta semana acrescentarão cerca de 4,5 gigawatts em capacidade à matriz brasileira, sendo 674,5 megawatts para entrega em 2021 e 3,8 gigawatts para conclusão em 2023.

Os empreendimentos contratados deverão somar mais de 18 bilhões de reais em investimentos para serem implementados, com a maior parte, ou quase 14 bilhões de reais, associada aos empreendimentos com entrega para 2023.

Os resultados comprovaram expectativas do mercado, de uma licitação mais movimentada para os empreendimentos com maior prazo de conclusão, devido à perspectiva de gradual recuperação da economia brasileira após a recessão enfrentada em 2015 e 2016.

Fonte: Extra